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Correio da Manhã

Portugal
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Miúdos em risco de levar com tábuas do tecto

Gabriela Sousa vive “com o coração nas mãos” desde Julho de 2004, data em que os alunos da Escola Básica n.º 1 JI de Rio de Mouro 2 passaram a frequentar o Atelier de Tempos Livres (ATL) em instalações provisórias, no Mercado de Rio de Mouro (Linha de Sintra).
20 de Março de 2006 às 00:00
Partes do tecto falso existente nas instalações provisórias do mercado já caíram. Pais temem que um dia as suas crianças fiquem magoada
Partes do tecto falso existente nas instalações provisórias do mercado já caíram. Pais temem que um dia as suas crianças fiquem magoada FOTO: Manuel Moreira
“As crianças todos os dias correm perigo”, diz a presidente da associação de pais da escola. “As tábuas do tecto falso estão a cair e até agora não sei como nenhuma criança ainda não ficou magoada. Sempre que vejo que alguma está para cair sou eu que compro arame e tento remediar a situação.”
Outro problema é a antiga galeria de pintura do mercado. “Não possui casa de banho própria e as crianças são obrigadas a usar os sanitários do mercado, com consequentes riscos para a saúde.”
Ricardo Miranda, um dos educadores encarregues das crianças que frequentam o ATL nos dias úteis (das 7h00 às 20h00), acrescenta que “diariamente, à hora de almoço e de saída da escola, as crianças percorrem a pé o percurso desde a escola, na Rua Vasco da Gama, até ao ATL no mercado, correndo o risco de serem atropeladas”.
Isto porque, segundo Gabriela Sousa, “a Junta de Freguesia não cede uma carrinha”. A responsável pelos menores desconhece quando o novo ATL estará pronto, porque “as obras estão paradas desde Agosto”.
Filipe Santos, presidente da Junta de Freguesia de Rio de Mouro, disse ao CM que a construção está atrasada por um motivo externo à autarquia, que resulta de a empresa de construção ter falido”.
Mas as críticas dos moradores não se limitam à existência precária do ATL. Alvo dos protestos é também o mercado precisar de obras, haver falta de espaços verdes e limpeza nas ruas de Casal Porqueiros e muitas das casas não terem ainda licença de utilização.
REACÇÕES
MIGUEL SANTOS - SEGURANÇA
“Vivo no Casal dos Porqueiros e entendo que a autarquia só se lembra de nós para receber a contribuição autárquica. Não criam espaços verdes argumentando que essa é uma obrigação não cumprida pelos construtores. Entretanto, o entulho é muito.”
CARLOS PLÁCIDO - FERROVIÁRIO
“No Casal dos Porqueiros nós comprámos as casas ao construtor, só que não conseguimos obter licença de utilização porque a Câmara recusa certificá-las por deficiência de construção. O processo arrasta-se há sete anos com a Câmara a informar que outros casos têm sido resolvidos.”
FILIPE SANTOS - PRESIDENTE DA JUNTA
“Uma das reclamações apontadas pelos moradores é a falta de condições do Mercado Municipal. Este é um edifício com 20 anos e cujas rendas pagas pelos vendedores não cobrem as despesas. Entendo que a Junta não deve financiar a actividade comercial.”
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