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Correio da Manhã

Portugal
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Moradores do bairro da Torre exigem novas casas

Cerca de meia centena de moradores do bairro de barracas da Torres estão esta segunda-feira, concentrados em frente à Câmara de Loures para pedir a interrupção do processo de demolições, que a autarquia diz estar suspenso e exigem novas casas.
17 de Outubro de 2011 às 15:35
Demolição do bairro e criação de novas casas não abrange 63 famílias
Demolição do bairro e criação de novas casas não abrange 63 famílias FOTO: Jorge Godinho

Este bairro, da freguesia de Camarate, encontra-se em processo de demolição desde Março, altura em que foi ordenada pela Câmara de Loures a desocupação das casas. Já no mês de Maio os moradores tinham se reunido junto a Paços de Concelho para contestar as demolições, entretanto suspensas.

A acção de protesto desta segunda-feira, teve início às 11h00 e está a ser organizada pelo movimento Solidariedade Imigrante, que alerta para o facto da decisão da autarquia implicar que 63 famílias, que não estão abrangidas pelo Plano Especial de Realojamento (PER), feito há 18 anos, fiquem "sem alternativa habitacional".

O grupo de moradores em protesto chegou a entrar nas instalações camarárias para exigir falar com o presidente do executivo, Carlos Teixeira, e ameaçou permanecer no local até ser recebido pelo autarca.

Os moradores só abandonaram as instalações quando receberam a garantia de que iam reunir-se na tarde desta segunda-feira com Carlos Teixeira e, neste momento, aguardam pela reunião num jardim contíguo com Paços de Concelho. Rita Silva, do movimento Solidariedade Imigrante, disse que as famílias tiveram conhecimento de que as demolições do bairro da Torre poderiam recomeçar durante esta semana e entraram em pânico por ficarem sem uma "alternativa habitacional".

"Estas pessoas não têm quaisquer possibilidades de aceder ao mercado de habitação, nas condições em que este se encontra hoje. Aquilo que a Câmara de Loures está a fazer é um crime, pois está a mandar famílias vulneráveis para a rua", repudiou.

As acusações foram rejeitadas pela vereadora com o pelouro da Coesão Social e Habitação, Sónia Paixão, que disse que a autarquia está preocupada em encontrar uma solução para os casos mais graves e que as demolições não avançarão enquanto essas situações estiverem a ser avaliadas.

"Desde a primeira hora que estamos a olhar para esses casos com toda a atenção. Algumas delas já foram realojadas em património municipal e eventualmente outras também o serão. Estamos a recolher documentação e a comprovar os casos de doença", disse Sónia Paixão.

Quanto aos restantes casos, a autarca reiterou que não existe solução, uma vez que não têm direito a habitação municipal: "Já foi explicado a essas pessoas que não têm direito. Têm de ter essa consciência".

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