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Correio da Manhã

Portugal
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Morais preso por documento falso

Fugido à Justiça portuguesa desde que, a 30 de Abril deste ano, o Tribunal da Boa-Hora o condenou a uma pena de sete anos de prisão por extorsão e posse de arma proibida, Alfredo Morais foi detido esta terça-feira na Lituânia.
10 de Julho de 2009 às 00:30
O ex-polícia foi condenado em Abril pelo Tribunal da Boa-Hora a uma pena de prisão de sete anos
O ex-polícia foi condenado em Abril pelo Tribunal da Boa-Hora a uma pena de prisão de sete anos FOTO: Bruno Colaço

As autoridades lituanas apanharam--no a atravessar a fronteira com a Letónia na companhia de um cidadão daquele país.

O ex-polícia apresentou um documento de identificação falso e foi imediatamente detido por esse crime. Um delito levado muito a sério pelas autoridades locais – tanto que Alfredo Morais foi ontem sumariamente condenado a pena de prisão efectiva de três meses na Lituânia, a cumprir antes de poder ser extraditado para Portugal.

Foi graças à cooperação internacional das autoridades lituanas com o SEF em Portugal que Alfredo Morais foi identificado como foragido à Justiça portuguesa .

O próprio SEF confirmou ontem, em comunicado, que foi avisado da detenção de Morais durante o dia de ontem e introduziu de imediato no sistema SIRENE – que põe em contacto os serviços de controlo de fronteiras dos países do espaço Schengen – o mandado de detenção europeu que fora emitido pelo tribunal da Boa--Hora, para entrar em prisão preventiva, logo após à leitura do acórdão que condenou Alfredo Morais. Entretanto, outro dos condenados, Paulo Baptista, continua foragido em parte incerta.

Alfredo Morais procurou refúgio no Norte da Europa, mas terá descurado a eficácia policial da ex-república soviética. Na Lituânia, tal como nos vizinhos estados do Báltico, há um especial cuidado com os estrangeiros que entram naqueles territórios, pelo que o uso de documentos falsos é considerado um crime grave. Sinal disso mesmo é o facto de o português ter sido de imediato condenado a cumprir pena efectiva de prisão na Lituânia. Não foi possível apurar a natureza da relação entre Morais e o cidadão letão que o acompanhava.

FUGIU ANTES DE RECEBER PENA DE SETE ANOS

Acusado de liderar o grupo conhecido como ‘Máfia da Noite’ que aterrorizou os donos de bares de alterne de Lisboa, a quem eram extorquidas avultadas quantias a troco de segurança, Alfredo Morais foi condenado pelo colectivo da Boa--Hora a uma pena de sete anos de prisão efectiva, pelos crimes de extorsão e posse de arma ilegal.

No entanto, o ex-polícia não ouviu a juíza ler o acórdão, no dia 30 de Abril – faltou à audiência, alegando doença, e fugiu do País. O tribunal emitiu de imediato um mandado de captura contra Alfredo Morais e Pedro Baptista, mas ambos estariam fora do País.

Alfredo Morais é ainda arguido no processo Passerelle – cujo julgamento está a ser repetido no tribunal de Leiria – em que é acusado dos crimes de lenocínio e irregularidades fiscais.

PAULO BAPTISTA PROCURADO PARA CUMPRIR 6 ANOS

Tido como o braço-direito de Morais, Paulo Baptista também faltou à leitura do acórdão que o condenou a uma pena de prisão de seis anos e três meses por extorsão, também no processo ‘Máfia da Noite’. O arguido terá estado em França duas semanas antes da decisão do Tribunal da Boa-Hora e as autoridades acreditam que tenha alugado uma casa naquele País. Ana Cotrim, advogada de Paulo Baptista, disse ter falado com o cliente a 30 de Abril pelo telefone e este terá justificado a não-comparência em tribunal com o trânsito de Lisboa. A advogada diz não ter voltado a falar com Baptista.

PORMENORES

LÍDER DO GRUPO

Alfredo Morais é apontado como o líder do gang criminoso. Mesmo depois de detido preventivamente, continuou a liderar o grupo desde a prisão

TRÊS CRIMES

Acusado de vários crimes , Morais acabou condenado a sete anos de prisão por dois crimes de extorsão e um de posse de arma.

JULGAMENTO

Dos 14 arguidos, oito foram condenados a prisão efectiva. Outros cinco tiveram pena suspensa e um foi absolvido.

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