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Correio da Manhã

Portugal
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Morgado força acusação do Apito

A procuradora do Ministério Público de Vila Verde, que assina mais uma acusação do ‘Apito Dourado’, neste caso visando, entre outros, o ex-árbitro Martins dos Santos, defendeu o arquivamento do processo, alegando que os factos apurados não eram suficientes para sustentar uma acusação pública. A troca de correspondência foi feita com a equipa coordenada por Maria José Morgado que, no entanto, teve um entendimento diferente e determinou que a magistrada deveria mesmo acusar os arguidos dos crimes de corrupção desportiva.
21 de Abril de 2007 às 00:00
Equipa coordenada por Maria José Morgado não concordou com os argumentos da procuradora do Ministério Público de Vila Verde
Equipa coordenada por Maria José Morgado não concordou com os argumentos da procuradora do Ministério Público de Vila Verde FOTO: João Miguel Rodrigues
Em causa estava um jogo da 3.ª Divisão, que se realizou no Estádio Cruz de Reguengo, em Vila Verde, Braga, a 10 de Abril de 2004. O jogo foi arbitrado por Daniel Santos, filho de Martins do Santos, e as suspeitas davam conta de um alegado benefício ao Vilaverdense, em prejuízo do Sport Clube Maria da Fonte.
A sustentar a extracção de certidões, determinada por Carlos Teixeira, procurador de Gondomar, estariam então escutas telefónicas feitas a Martins dos Santos. Aquele havia recebido um telefonema do director desportivo do Vilaverdense para que o filho beneficiasse o seu clube. A conversa indicia que já teria havido um contacto anterior. “Eu já lhe disse que não há... por aí não há problema”, respondeu o ex-árbitro.
Ainda segundo apurou Carlos Teixeira, o director desportivo do Vilaverdense terá garantido a Martins dos Santos que o observador também seria pressionável.
Antes do início do jogo as autoridades interceptaram ainda outra escuta entre Martins dos Santos e o filho, onde aquele dava conta ao pai que estava muito satisfeito pela prenda recebida: uma meia libra. Terá dito mesmo assim que contava que a oferta fosse um relógio.
DEFESA CONTESTA ACUSAÇÃO
A defesa dos arguidos contesta a acusação. E entre os factos alegados durante a abertura de instrução está precisamente a troca de correspondência entre a magistrada que tutelava o inquérito e a equipa de Morgado.
Essas informações deveriam então ser confidenciais e não estarem anexas ao processo. Desconhece-se os motivos por que se mantiveram nos autos, mas agora servirão para descredibilizar uma acusação. Até porque a magistrada que a subscreve afinal não concorda com ela.
Refira-se que Martins dos Santos já tinha sido acusado noutra certidão do ‘Apito Dourado’. Foi também um jogo de 3.ª categoria, realizado na Madeira. Neste caso, o processo também se encontra em instrução, aguardando o tribunal por informações pedidas a Gondomar.
SAIBA MAIS
24 arguidos foram pronunciados pelo Tribunal de Gondomar no processo principal. O julgamento deverá ser brevemente marcado.
82 certidões foram extraídas após a dedução de acusação em Gondomar. Neste momento, só se encontram pendentes 13 inquéritos e já foram deduzidas seis acusações.
SEGREDO
A instrução neste processo foi agora aberta, mas os arguidos requereram a manutenção do segredo de justiça
ESCUTAS
Martins dos Santos foi um dos árbitros então na 1.ª categoria cujo telefone esteve durante vários meses sob escuta das autoridades
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