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Correio da Manhã

Portugal
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Morre a salvar amigo de assalto

Quis socorrer um amigo que estava a ser assaltado, mas o acto heróico revelou-se fatal para JoãoBorges, de 31 anos, que na madrugada de ontem perdeu a vida ao ser atingido na cabeça com uma barra de ferro por um dos assaltantes. João, natural de Angola, deixa mulher e dois filhos menores.
17 de Outubro de 2011 às 01:00
João Borges, de 31 anos foi morto na madrugada de ontem. Irmão mais velho e cunhada (na foto) e restantes familiares não queriam acreditar
João Borges, de 31 anos foi morto na madrugada de ontem. Irmão mais velho e cunhada (na foto) e restantes familiares não queriam acreditar FOTO: João Miguel Rodrigues

O crime ocorreu por volta das 06h00, na rua do Vale Grande, na Pontinha, Odivelas. João Borges conduzia o seu Alfa Romeo, acompanhado por dois amigos, quando se deparou com um rapaz que conhecia, rodeado por três homens, que o agrediam para o assaltar. João pegou numa barra de metal – utilizada para fazer exercício físico – que tinha no banco traseiro do carro e saiu em socorro do amigo.

Um dos assaltantes terá conseguido tirar-lhe o objecto metálico e desferiu--lhe pelo menos um golpe certeiro na cabeça. João morreu no local. Os bombeiros ainda tentaram reanimar o homem, mas era tarde demais.

O homicida e os dois cúmplices – que ainda partiram o pára--brisas do Alfa Romeo com uma pedra – puseram-se em fuga. A vítima do assalto e os dois amigos não tentaram, até ao final do dia de ontem, contactar a família do morto (ver caixa). Familiares e amigos reuniram-se ontem à tarde em casa do falecido em Mem Martins, num ambiente de grande consternação.

"Não consigo acreditar que o meu irmão está morto. Vi as notícias de manhã, mas nunca pensei que fosse o João", contou ao CM Pedro Borges, irmão mais velho da vítima. A família só descobriu que o homem estava morto porque não o encontraram em casa e o Alfa Romeo não estava estacionado na rua. Dirigiram-se então, já "com o coração nas mãos", à esquadra da Pontinha, onde receberam a notícia da tragédia. A PJ está a investigar o homicídio.

"VI O CADÁVER COM A CABEÇA NO ALCATRÃO"

"Quando vim à janela por causa do barulho, já só vi o cadáver mesmo aqui ao lado da minha porta, com a cabeça no alcatrão da estrada", relata Joaquim Fernandes, 90 anos, morador na rua do Vale Grande, onde o crime ocorreu.

"Ouvi barulho, mas isso já é normal. Só que desta vez eram gritos e pensei logo que a coisa tinha corrido mal" contou ao CM o ex-militar da GNR, de 90 anos, que ainda viu os amigos da vítima mortal a tentar socorrê--lo e mais tarde toda a operação levada a cabo pelos bombeiros, PSP e PJ.

Vários grupos costumam reunir-se naquela rua durante as noites de fim-de-semana, em convívio. Existem vários bares na zona que estão abertos até de madrugada.

TESTEMUNHAS NÃO FALAM COM FAMÍLIA DE JOÃO

"É muito estranho que nem o rapaz assaltado nem os amigos que assistiram ao crime nos tenham contactado até agora". A cunhada da vítima, Hermenegilda Ferreira, de 44 anos, e restantes familiares e amigos não conseguem compreender a razão pela qual as testemunhas do homicídio – amigos do falecido – não os contactaram até ao final do dia de ontem, para avisar do sucedido ou "pelo menos para mostrar o seu pesar".

Pelo menos três pessoas – vítima do assalto e os amigos que seguiam no Alfa Romeo com João – assistiram ao crime.

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