Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
3

MORRERAM A TRABALHAR

Um homem de 47 anos morreu ontem soterrado em Santa Cristina de Longo, Guimarães, quando procedia à instalação de aduelas num poço para extracção de água, na sua propriedade. Em Viseu, um jovem electricista morreu electrocutado quando efectuava uma substituição de linhas de alta tensão.
25 de Julho de 2002 às 22:22
No acidente ocorrido em Guimarães, Carlos Gomes Araújo, um empresário de construção civil residente em Balazar, terá morrido por fractura da coluna cervical, mas também não teria grandes possibilidades de sobreviver à prolongada situação de falta de oxigénio, numa “zona de terrenos muito húmidos e perigosos”, como explicou o comandante dos Bombeiros Voluntários das Taipas, Francisco Pereira.

A derrocada de terras verificou-se por volta das 11h00, quando Carlos Araújo decidiu descer ao fundo do poço para desencravar a pá da retroescavadora, que ficou presa a cerca de oito metros do nível do solo, num amontoado de pedras que serviam para proteger as aduelas, com um metro de diâmetro e que estavam ainda a ser colocadas.

Um grupo de 15 bombeiros tentou chegar o mais rapidamente possível ao corpo de Carlos Araújo, mas a disposição do terreno - situado a cerca de 10 metros abaixo de uma estrada camarária - representava grandes riscos. A corporação chegou mesmo a apanhar um valente susto quando três elementos desceram ao fundo e a terra começou a ceder.

Só com a intervenção de mais duas rectroescavadoras cedidas pelo presidente da Junta de Freguesia de Balazar, o empresário de construção civil Luís Marques, os bombeiros conseguiram retirar terras e assegurar melhores condições de segurança.

A presença de centenas de pessoas que acorreram ao local acabou também por dificultar a acção dos Bombeiros e dos maquinistas que colaboraram no trabalho de resgate.

O corpo de Carlos Araújo - casado e com dois filhos (um de 20 e outro de 9 anos) - acabou por ser retirado por volta das 14h00, mas os trabalhos só puderam ser dados por terminados quase hora e meia depois, tendo os bombeiros aguardado pela chegada da autoridade de saúde e da delegada do Ministério Público.

Familiares e amigos da vítima, que era também membro da Assembleia de Freguesia de Balazar, lamentaram a morte de “um grande trabalhador” e “homem simples e humilde”, realçando também “a falta de segurança com que se trabalha em Portugal” e trazendo à memória o acidente mortal que se registou anteontem na auto-estrada do Algarve.

“Facilita-se muito, mas que ao menos isto sirva de lição para todos nós”, recomendava no local António Gomes.

ELECTRICISTA NÃO RESISTE A CHOQUE

Um electricista de 21 anos, trabalhador de uma empresa que fazia serviço para a EDP, morreu ontem electrocutado em Ranhados, Viseu, na altura em que se encontrava no alto de um poste de electricidade a efectuar a substituição de linhas de baixa tensão.

O acidente registou-se cerca das 09h00, tendo o trabalhador, natural de Sernancelhe, morte quase imediata. Na altura em que tudo aconteceu, a vítima encontrava-se no topo do poste, com oito metros de altura, enquanto dois colegas estavam no solo. Estes ouviram um grito e de imediato subiram na tentativa de ainda salvarem o companheiro mas, devido ao choque eléctrico pouco mais fizeram do que amparar o corpo até à chegada dos bombeiros. Descuido e alguma falta de segurança para a realização deste tipo de serviços terão sido as causas de mais este acidente de trabalho.

O chefe João Dias, dos Bombeiros de Viseu, adiantou “que o funcionário estava a proceder à substituição das linhas de corrente eléctrica de média tensão. Por descuido e talvez não respeitando as normas de segurança, tocou em dois fios e ocorreu a descarga”.

Durante este ano, só no distrito de Viseu já morreram electrocutados quatros trabalhadores. Os outros casos ocorreram em Sernancelhe (dois) e em Canas de Senhorim.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)