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Correio da Manhã

Portugal
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Morreu a lavar o tanque do vinho

O homem, de 57 anos, que foi encontrado morto pela filha numa adega em Rocha Nova, Coimbra, estava a limpar um tanque de uvas depois de ter retirado o vinho. O Ministério Público dispensou a autópsia por não existirem sinais de violência ou qualquer suspeita de intervenção dolosa ou negligente de terceiros, confirmou fonte judicial.

4 de Outubro de 2008 às 00:30
O genro da vítima, José Carlos, diz que Carlos da Silva Matos estava a lavar o recipiente
O genro da vítima, José Carlos, diz que Carlos da Silva Matos estava a lavar o recipiente FOTO: Ricardo Graça

A morte pode ter sido provocada por inalação de gases resultantes do processo de fermentação do vinho, associado ao facto de a vítima já sofrer de patologia cardíaca.

O gás que se desenvolve na fermentação é o dióxido de carbono (CO2), explica o enólogo Óscar Gato, referindo que pode ser fatal. Por haver o risco de acumulação deste gás, o enólogo alerta que "nunca se deve entrar num recipiente logo depois de uma fermentação, por falta de oxigénio". Por outro lado, acrescenta Óscar Gato, "não se deve proceder à limpeza sozinho".

Carlos da Silva Matos foi encontrado caído junto ao tanque das uvas, de onde tinha retirado o vinho. Segundo o genro, José Carlos, a vítima estaria já a proceder à limpeza do recipiente.

Outra familiar, Cesaltina Santos, recorda que a filha de Carlos da Silva Matos ainda falou com ele pelas 23h30. Nessa altura, o pai ter-lhe-á transmitido que estava praticamente a terminar o serviço. Na manhã seguinte, pelas 07h00, quando a filha o procurou para "lhe dar os medicamentos não o encontrou no quarto e foi descobri-lo caído na adega", lembra José Carlos. "Deverá ter acontecido durante a noite", acredita o genro.

Carlos da Silva Matos foi sepultado ontem no cemitério de S. Paulo de Frades.

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