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MORREU AFOGADA EM BIDÃO

O luto denuncia a dor, mas é quando desfolha o álbum de fotografias e revê os caracóis loiros de Inês, que a mãe deixa escapar as lágrimas presas a custo desde que a tragédia lhe bateu à porta. O relógio marcava as 20h30 de terça-feira quando a menor foi encontrada, morta por afogamento, dentro de um bidão de plástico, no quintal da casa onde a família reside, no sítio de Barracha, em São Brás de Alportel.
10 de Julho de 2002 às 22:12
Uma hora antes, a mãe, Ana Cristina Gonçalves Guerreiro Pereira, de 34 anos, deixara-a na companhia de um irmão mais novo, a regar as flores do quintal, enquanto se dirigia a São Brás de Alportel para ir buscar o filho mais velho à saída das aulas. Mas nem Nuno, de seis anos, ou o pai, que acabara de chegar do trabalho, se deram conta dos passos da pequena Inês Isabel, enquanto esta se dirigia para a morte.

Ao que tudo indica, a menina, que completaria três anos no próximo dia 13 de Agosto, terá caído dentro do pote de plástico, com um metro de altura e 50 centímetros de diâmetro, que continha cerca de dez litros de água, quando espreitava para o seu interior, debruçada sobre um balde que utilizou como degrau virado de fundo para cima: "Tenho a certeza que o balde não estava ali, terá sido ela a encostá-lo ao pote para subir e espreitar lá para dentro", admite a mãe, ainda presa à recordação de um "pressentimento" que a assaltara momentos antes de sair de casa: "Não queria ir, mas como estava muito trânsito e já era tarde, se fosse na carrinha o meu marido demoraria mais tempo a chegar à vila, por isso decidi ir eu buscar o meu outro filho", revela.

Foi o pai, Tomás Deodato Pereira, de 37 anos, pedreiro, que deu pela falta da menina. Depois de procurá-la sem resultado nas imediações da casa, telefonou à mulher a avisá-la sobre o desaparecimento da filha, enquanto à ideia lhe chegavam as primeiras suspeitas: "Pensei que tinha sido raptada, porque momentos antes tinha visto um carro passar próximo da casa", relata.

Perante esta hipótese os progenitores avisaram a GNR de São Brás de Alportel, que efectuou uma batida na área. Mas foi o filho mais velho do casal, Bruno, de oito anos, que acabaria por localizar a irmã, prostrada de cabeça para baixo e submersa na água que se encontrava no utensílio de plástico.
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