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Correio da Manhã

Portugal
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Morreu ao tentar salvar a irmã

Estava a salvo da onda gigante, mas voltou atrás para resgatar a irmã. Não conseguiu e desapareceram ambos na Praia do Norte, na Nazaré. Os dois jovens franceses, acompanhados de um irmão e de uma portuguesa – que escaparam – passeavam à beira-mar, quinta-feira à tarde quando aconteceu a tragédia.
16 de Setembro de 2006 às 00:00
Thomas e Elise Loudnot, de 25 e 19 anos, passeavam acompanhados de outro irmão, de 17 anos, e de uma amiga portuguesa, Virgínia Domingues, de 24 anos, das Caldas da Rainha, emigrante em França. Estavam de férias e decidiram ir passar a tarde ao Sítio da Nazaré. Foram até ao farol e depois desceram a falésia, por um caminho em terra batida, até ao areal.
Fazia calor e, apesar de o mar estar picado e muito perigoso, com ondas de três a quatro metros, aproximaram-se da água para molhar os pés. Mas o momento de descontracção durou pouco tempo. De repente levantou-se uma onda mais forte, que os colheu a todos de surpresa.
Virgínia Domingues e os dois rapazes conseguiram equilibrar-se e correram para longe da água, enquanto Elise Loudnot se debatia em vão para se livrar da onda. Ao vê-la em aflição, o irmão mais velho, Thomas, foi socorrê-la.
Só que à onda que atingiu todo o grupo seguiram-se outras ainda mais fortes e os dois irmãos não conseguiram salvar-se.
Em poucos minutos desapareceram no mar, perante o olhar atónito do irmão mais novo e de Virgínia Domingues, que nada puderam fazer para os socorrer.
“Eram ondas muito grandes, quase monstruosas”, contou pouco depois às autoridades Virgínia Domingues, que ficou em estado de choque com a tragédia que se desenrolou à frente dos seus olhos. Foram de imediato accionados meios de socorro, mas já nada foi possível fazer para salvar Thomas e Elise Loudnot.
O corpo da rapariga foi devolvido pelo mar ainda na tarde de quinta--feira, encontrando-se na morgue do Hospital de Santo André, em Leiria, para realização da autópsia.
As buscas para recuperar o corpo de Thomas decorreram ontem durante todo o dia e vão ser retomadas hoje, assim que o dia nascer. Por terra, as buscas são asseguradas por jipes e moto-quatro da Polícia Marítima, enquanto o mar é percorrido pela lancha salva-vidas do Instituto de Socorros a Náufragos.
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