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Correio da Manhã

Portugal
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"Morríamos todos se tivéssemos coletes"

Mestre de arrastão que naufragou acusado de homicídio negligente.
Cátia Vicente 17 de Novembro de 2015 às 16:32
Francisco Fortunato era o mestre da embarcação naufragada
Francisco Fortunato era o mestre da embarcação naufragada FOTO: Ricardo Almeida
Francisco Fortunato, o mestre da embarcação ‘Jesus dos Navegantes’, que naufragou em outubro de 2013 na Figueira da Foz, começou esta segunda-feira a ser julgado no Tribunal de Coimbra por homicídio negligente de quatro pescadores.

"Estávamos sem colete. Se tivéssemos colete, morríamos todos", afirmou, explicando que os oito tripulantes ficaram debaixo do barco quando este virou. "O colete não nos deixava mergulhar para sair", garantiu. Também Eurico Fangueiro e António Frazão, dois dos sobreviventes ouvidos esta segunda-feira em tribunal, não têm dúvidas em afirmar que sobreviveram por não ter colete.

O mestre, de 42 anos e a residir em Caxinas, admitiu não conhecer o edital da capitania onde constam as normas de segurança e de utilização do porto, bem como a carta náutica. "Hoje fazia o mesmo que fiz", disse.

O barco, com mais de 14 metros de comprimento, virou ao ser atingido por duas vagas de grandes dimensões, num dia em que a barra estava fechada para embarcações até 11 metros. "Foi uma coisa da natureza, do mar", afiançou Francisco Fortunato.

O Ministério Público, que acusa o mestre de quatro crimes de homicídio por negligência, considera que o arguido agiu "de forma descuidada e desajustada". Ainda esta segunda-feira o tribunal ouviu quatro peritos: a maioria considerou que a rota seguida foi adequada. "Se a lei não obriga [ao uso de coletes], não vejo como o arguido pode ser acusado de negligência por não obrigar", disse Abel Maia, advogado de defesa, no final da sessão.
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