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Correio da Manhã

Portugal
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Morta com tiro de caçadeira na cabeça

Eduarda Ferreira, a funcionária da bomba de gasolina de Benavente, assaltada na sexta-feira à noite, foi assassinada por um dos cinco homens do gang com um tiro de caçadeira de canos serrados disparado junto à cabeça – disse ao CM uma fonte judicial.
9 de Abril de 2007 às 00:00
O corpo da vítima só hoje será autopsiado. Mas os inspectores da Polícia Judiciária que estiveram no local do crime e observaram o cadáver não têm dúvidas: o ferimento na parte posterior da cabeça só pode ter sido causado por chumbos disparados com os canos da arma praticamente encostados ao couro cabeludo.
Três assaltantes entraram na loja da bomba quando Eduarda Ferreira, e a filha Alexandra, de 20 anos, fechavam as contas do dia. Depois de terem retirado algum dinheiro da caixa registadora, o gang é surpreendido pela chegada de um carro-patrulha da GNR.
Um dos assaltantes escolhe Alexandra para escudo – mas Eduarda oferece-se para o lugar da filha. Ele saiu com ela à frente. Segundos depois, os militares da GNR que aguardavam cá fora, ouvem um tiro e ripostam com três disparos de pistola. Os assaltantes fogem pelas traseiras, onde os aguardava uma carrinha Audi A6 com dois cúmplices. Deixaram Eduarda morta.
A brigada da Judiciária chamada ao local só encontrou os invólucros das munições de pistola, calibre 9 mm, detonados pelos militares da GNR. “Só foi feito um disparo de caçadeira; o que matou Eduarda Ferreira. O invólucro do cartucho não saltou, porque a arma não foi recarregada”, disse ao CM a mesma fonte.
Identificados
A PJ de Lisboa já identificou os cinco suspeitos do assalto às bombas da ‘ETC’. Todos são da zona de Lisboa. Estão na casa dos 20 anos, e possuem extensas fichas policiais.
A carrinha Audi A6 preta usada no crime, segundo fonte policial, foi roubada, à mão armada, na zona de Lisboa, no princípio da semana passada. São ainda suspeitos de três assaltos a carrinhas de valores, ocorridos perto de Lisboa (ver nesta página crimes do gang).
As buscas ao paradeiro dos cinco assaltantes foram, entretanto, alargadas a Espanha.
MANUAIS DIZEM PARA NÃO RESISTIR
Todas as principais companhias petrolíferas que operam no nosso País possuem manuais de segurança, que são distribuídos aos revendedores onde se encontram descritos todos os procedimentos a ter em caso de assalto. A principal preocupação é evitar a perda de vidas humanas. Entre os comportamentos a seguir durante a ocorrência de um assalto estão, entre outros: nunca ter muito dinheiro na caixa, não oferecer qualquer tipo de resistência, não estabelecer contacto visual com os assaltantes.
Após ocorrido o crime, o funcionário deve contactar de imediato as forças policiais e os gabinetes de crise das respectivas empresas.
Nos postos de gasolina que são propriedade das companhias são feitos, pelos menos duas vezes por ano, exercícios com os funcionários que simulam a actuação durante um assalto, por forma a corrigir procedimentos. As bombas que pertencem a revendedores independentes encontram-se mais vulneráveis a este tipo de acidentes.
REUNIÃO NO MINISTÉRIO
Depois de ter reunido com o secretário de Estado Adjunto e da Administração Interna, em Março de 2006, para avaliar a questão da segurança nos postos de combustível, a Associação Nacional dos Revendedores de Combustíveis (ANAREC), que representam cerca de 1500 bombas de gasolina, pediu há 15 dias um novo encontro com José Magalhães. “Há cerca de uma semana recebemos uma resposta evasiva por parte do Ministério da Administração Interna”, afirmou ao CM uma fonte da ANAREC.
O que está em cima de mesa é a adpatação do sistema de segurança concebido para os táxis, que liga cada veículo a uma central de segurança com comunicação imediata para as autoridades policiais.
“Hoje mesmo vamos insistir com o MAI para que exista um encontro, o mais rapidamente possível”, disse a mesma fonte, acrescentando que os assaltos a bombas de gasolina continuaram a ser muito frequentes em 2006.
CRIMES DO GANG
VALE DA AMOREIRA
Pelas 10h30 da última terça-feira, dois encapuzados, armados de pistolas, rodearam o tripulante de uma carrinha de valores que ia abastecer uma caixa multibanco nos CTT do Vale da Amoreira, Moita. Fugiram com dois sacos contendo 40 mil euros.
MASSAMÁ-NORTE
Vinte e quatro horas depois, perto do Lidl de Massamá-Norte, Sintra, três homens apontaram armas de fogo a um funcionário de uma empresa de transporte de valores, roubando um saco carregado com notas e moedas. A GNR chegou pouco depois, mas não os deteve.
CAMARATE
Anteontem, a Rua 1.º de Maio, em Camarate, Loures, serviu de palco a um novo assalto a carrinha de valores. Dois encapuzados, armados de pistolas, atacaram um funcionário de uma empresa de transporte de valores, que abastecia uma caixa multibanco instalada no supermercado Minipreço. Os ladrões fugiram com um saco com cerca de 13 mil euros.
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