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Correio da Manhã

Portugal
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Morte de socióloga envolta em mistério

Só ontem de manhã, Manuel de Barros, um reformado de 80 anos, soube que o corpo encontrado na tarde de domingo na bagageira de uma carrinha, em Monte Abraão, Sintra, era o da sua afilhada.
11 de Julho de 2006 às 00:00
Maria José Janardo, socióloga, de 35 anos, foi assassinada e encontrada com um saco de plástico na cabeça e as mãos amarradas dentro da sua viatura, um Opel Astra vermelho.
Apesar de a Polícia ter encontrado documentos e cartões de crédito de Maria José no interior da viatura, a família suspeita que ela tenha sido morta na sequência de um assalto.
Segundo Manuel de Barros, padrinho da vítima, Maria José viajava muito em trabalho. “Ela fazia estudos para uma empresa e passava mais tempo no estrangeiro do que em Portugal. Tinha uma vida desafogada. Se calhar, foi perseguida e assaltada”, disse ao CM.
Ema Janardo, mãe de Maria José, disse ao CM que pressentiu a morte da filha. “Telefonei de manhã para falar com ela. Sentia-me muito nervosa e não sabia porquê.”
O genro, que atendeu o telefone, pediu-lhe que se acalmasse, porque Maria José tinha saído. “Ela telefona--lhe quando chegar”, disse-lhe. “Já ela estava morta”, lembrou a mãe da vítima. O marido de Maria José, que passou a tarde de ontem a prestar declarações na Polícia Judiciária, ainda tentou tranquilizar a sogra. “Disse-me que a minha neta, de treze anos, tinha sido a melhor aluna e que, por isso, o colégio lhe ia oferecer uma viagem a Barcelona”, recorda.
Esta foi a última vez que Ema Janardo falou com o genro. Ontem de manhã, o padrinho da filha informou-a do crime que roubou a vida a Maria José. “Antes fosse eu”, disse Ema Janardo, inconsolável.
O marido de Maria José, de 55 anos, estava reformado. Era ele que cuidava da filha quando a mulher tinha de ausentar-se para o estrangeiro, em trabalho. “Eles davam-se muito bem e eram felizes”, assegura a mãe.
POPULARES ALERTADOS PELO FUMO
O corpo de Maria José Janardo, de 35 anos, foi encontrado dentro da bagageira da sua carrinha pelas 15h00 de domingo, junto à Escola Básica n.º 1 de Monte Abraão, concelho de Sintra.
Os populares foram alertados pelo fumo que saía da viatura e ainda tentaram resolver a situação com um extintor. Só quando abriram a porta fizeram a macabra descoberta. Os vizinhos dizem que a carrinha já ali estava estacionada durante a noite.
A Opel Astra foi encontrada numa rua perto da casa da vítima, bem estacionada. A família da socióloga, que mora em Oeiras, foi informada do crime ontem pela manhã.
A autópsia ao corpo deverá ser feita hoje. Suspeita-se que a mulher tenha sido assassinada e, só depois, colocada no carro. O agressor ainda tentou atear fogo ao corpo para ocultar as provas.
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