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Correio da Manhã

Portugal
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Morte em dia de festa

A família do menino de oito anos que morreu afogado num poço, no sábado à tarde, em Amoreira, Fátima, concelho de Ourém, preparava-se para festejar o aniversário do avô materno do menor, que completou ontem 62 anos.
15 de Janeiro de 2007 às 00:00
O dia que era para ser de festa transformou-se num dia de angústia e tristeza, que se estendeu aos outros moradores da Amoreira e aos colegas de escola do Diogo Marcelino.
Ontem foi uma romaria a casa do Diogo Marcelino, em que dezenas de familiares e amigos apresentaram as suas condolências e partilharam a dor dos pais e da irmã, de 13 anos, que estavam inconsoláveis. O avô, Manuel Ferreira, nem queria ouvir falar do aniversário.
O poço onde ocorreu o acidente é muito antigo e situa--se no meio do jardim da moradia. Tem um muro de pedra com um metro de altura e, do lado de dentro, a um metro e meio, uma placa de cimento. Só que no meio da placa há uma abertura, em forma de um quadrado, que estava protegida com uma grelha em ferro e telhas.
Foi esta grelha que cedeu ao peso do corpo do menino, quando saltou para a placa para se esconder dos amigos.
“Eles andavam os três a brincar às escondidas e o Diogo saltou para a placa do poço para se esconder”, contou ontem um vizinho. Só que, ao saltar, ficou na zona da grelha, que cedeu ao seu peso, caindo desamparado para dentro de água.
Os dois amigos alertaram de imediato a mãe do Diogo, que estava em casa e ligou para o 112, e pediram ajuda às pessoas que passavam na rua, enquanto esperavam pela chegada dos bombeiros.
“Nós chegámos em poucos minutos e já estava um homem no poço à procura do menino, mas só o conseguimos localizar com uma fateixa”, disse ao CM Costa Pereira, comandante dos Bombeiros Voluntários de Fátima.
O poço tem muita profundidade e estava cheio de água e os bombeiros começaram a esvaziá-lo, até conseguirem resgatar o corpo do menino, que foi retirado inanimado.
Foram de imediato iniciadas manobras de reanimação, pelos bombeiros e por uma equipa médica do INEM, que continuaram durante o transporte para o Hospital de Leiria, onde viria a falecer.
“Eles fizeram tudo o que era possível para o reanimar, mas a situação era problemática, pois não se sabia quanto tempo esteve na água”, explicou Costa Pereira.
AMIGOS VIVEM DRAMA
FUNERAL
O corpo de Diogo Marcelino deverá ser autopsiado hoje ou amanhã, na morgue de Leiria. Só depois a família poderá realizar o funeral.
CHOQUE
Um dos amigos do Diogo ficou em estado de choque e foi transportado ao Hospital de Leiria pelos Bombeiros para receber apoio psicológico.
ANTIGO
O poço onde ocorreu o acidente é muito antigo e já existia antes da construção da moradia. Foi preservado porque embelezava o jardim.
ESCOLA
Diogo Marcelino frequentava a Escola do 1.º Ciclo da Amoreira. Era um miúdo muito bem humorado e activo. “Adorava trazer os amigos para casa para brincarem às escondidas”, contou a mãe de um colega de turma.
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