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Correio da Manhã

Portugal

MORTE NA CAÇA AO JAVALI

Um homem de 73 anos morreu ontem de madrugada ao ser atingido por um tiro de caçadeira disparado por um indivíduo de 40 anos, quando ambos andavam à caça de javali numa serra próximo da de Almeidinha, no concelho de Mangualde, aldeia onde residiam e que agora está em estado de choque.
11 de Agosto de 2003 às 00:00
Os habitantes de Almeidinha estão consternados com a morte do caçador
Os habitantes de Almeidinha estão consternados com a morte do caçador FOTO: Ana Palma
Os dois homens eram conhecidos como sendo "grandes amigos" e "companheiros de caça" mas ninguém consegue explicar porque é que foram caçar na noite de sábado, sabendo-se que a prática da caça grossa nesta altura do ano é proibida.
Segundo se apurou, o acidente ocorreu poucos minutos depois da meia-noite. Os dois indivíduos, que têm carta de caçadores e licença de uso e porte de arma, deslocaram-se para o local de carro. A certa altura, Francisco Lopes, de 73 anos, reformado, foi alvejado por uma bala por V. Cabral, motorista do autocarro da Câmara Municipal de Mangualde que o terá confundido com um javali.
Quando se apercebeu da tragédia ficou desesperado e na tentativa de salvar o companheiros meteu-o no carro e foi de encontro a uma viatura do INEM. O septuagenário acabou por não resistir aos ferimentos provocados por uma caçadeira de um cano marca "Franchi Varilite" e morreu.
"Foi uma tragédia que nos afectou a todos", referiu Afonso Henriques, de 82 anos, acrescentando que os dois homens eram "muito amigos" e andavam "sempre juntos".
Já Isabel Costa lamenta a morte de Francisco Lopes, "um homem muito querido na aldeia" e também a situação em que agora fica a família do autor do disparo: "Ele não tinha intenção de matar, foi um acidente. Tem três filhos menores e é uma família pobre e humilde. Não sei como é que será a vida daquela família se ele ficar preso", concluiu.
O autor do disparo entregou-se às autoridades e ficou detido na GNR de Mangualde. Hoje vai ser presente às autoridades judiciais.
ACTIVIDADE PERIGOSA
Os acidentes mortais durante a prática da caça têm ocorrido com alguma frequência no nosso país. No dia 6 de Outubro de 2002, no dia da abertura da época geral, vários disparos mal calculados provocaram a morte a duas pessoas e ferimentos noutras sete.
Os disparos fatais verificaram-se em Pego, Abrantes, que resultou na morte de Ilídio Cadete, de 72 anos, e em Miuzela do Côa, Almeida, quando Fernando Ribeiro, de 30 anos, foi atingido pela arma de outro caçador, um cabo da GNR da Guarda, quando caçavam na companhia de um grupo de amigos e familiares.
Já este ano, no dia 5 de Janeiro, um outro caçador foi atingido mortalmente na Herdade da Formosa, em Coruche. António Eusébio, de 44 anos estava na trajectória de uma bala que tinha como destino uma raposa. Um seu amigo e companheiro de longa data nas caçadas, que fez o disparo, ficou inconsolável.
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