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Correio da Manhã

Portugal
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Morte por esclarecer

A queixa já seguiu para o Ministério Público e só os resultados da autópsia podem esclarecer o que realmente aconteceu a Laura Cruz, de 43 anos, que faleceu em casa, no passado sábado, cinco horas depois de ter tido alta das Urgências do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro. A doente queixava-se de fortes dores no estômago e vómitos, mas o seu caso não terá sido considerado grave, uma vez que, depois de ter passado três horas no hospital, foi mandada para casa.
16 de Fevereiro de 2007 às 00:00
Mónica Amaral, cunhada da vítima, afirma que a família vai até ao fim para descobrir causa da morte
Mónica Amaral, cunhada da vítima, afirma que a família vai até ao fim para descobrir causa da morte FOTO: Carla Pacheco
A família, residente em Vila Nova de Fusos, Albergaria-a-Velha, não se conforma e garante que, se depender deles, “esta morte não ficará por esclarecer”. Segundo Mónica Amaral, cunhada da vítima, os familiares suspeitam de negligência médica, isto porque “se ela morreu pouco depois, com os mesmos sintomas, é porque não detectaram o que tinha, ou não quiseram saber se era grave ou não”.
Laura Cruz , que se encontrava desempregada há cerca de seis meses, depois de uma redução de pessoal na fábrica Alba, “nunca teve uma doença”, lembra Mónica Amaral.
Há cerca de uma semana começou a queixar-se de dores no estômago e foi-lhe diagnosticada uma gastrite. Mas perante o agravamento dos sintomas e o aparecimento de vómitos, chamou uma ambulância e foi transportada ao hospital de Aveiro, a unidade de saúde mais próxima com serviço de urgência.
“Deram-lhe uma injecção, puseram-lhe uns tubos pelo nariz e receitaram-lhe três medicamentos”, conta a cunhada. Já depois de regressar a casa, a doente vomitou a medicação e, pela manhã, quando uma vizinha lhe preparava um leite quente – para lhe confortar o estômago –, Laura faleceu, antes mesmo de o tomar.
Logo após o óbito, o marido de Laura Cruz apresentou queixa contra o hospital no posto da GNR, que fez chegar o assunto ao Ministério Público. “Uma vez que ela morreu em casa era preciso fazer avançar as coisas para ser feita a autópsia”, salienta a cunhada.
Neste momento, a família ainda não foi informada dos resultados dos exames médico-legais e acredita que “alguém está a dificultar as coisas”, adiantando que lhes foi dito ser “preciso contratar um advogado”.
O CM contactou a administração do Hospital Infante D. Pedro, que confirma a entrada de Laura Cruz nas Urgências às 23h24 do dia 10 e a saída às 03h00 de dia 11. Quanto às queixas dos familiares, a mesma fonte adianta que “assim que o caso foi comunicado foi aberto um processo de averiguação interna, que corre os seus termos”.
MEDICADA PARA DORES
O médico que assistiu Laura Cruz receitou-lhe uma medicação que serve para atenuar os sintomas dolorosos do sistema digestivo. A doente saiu da urgência com indicação para tomar Buscopan (contra espasmos), Nexium (indicado, por exemplo, para úlcera péptica ou esofagite de refluxo) e um sulcralfato (genérico), que mais não é do que um protector para o estômago, recomendado para quem sofre de sensibilidade gástrica.
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