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Correio da Manhã

Portugal
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Morte por falta de médico

A família de Maria do Carmo Vinhas, doente oncológica que faria hoje 66 anos, está revoltada com o facto de a mulher, que acabou por falecer, não ter sido socorrida pela Viatura Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital de Bragança.
1 de Fevereiro de 2008 às 12:00
Ao que o CM apurou, a VMER estava inoperacional por falta de médico no Hospital de Bragança, acabando a vítima por ser transportada por uma ambulância normal dos Bombeiros Voluntários da cidade.
Inês Seixas, filha de Maria do Carmo, diz que a mãe se sentiu mal por volta das 06h50 de segunda--feira, apresentando “forte transpiração e suores frios”. Indisposta, pediu para ir à casa de banho, mas perdeu os sentidos e caiu ao chão.
Ao verem o estado de saúde a agravar-se, os familiares ligaram para o 112 pouco depois das 07h00. Como não havia sinais de socorro e a casa fica a menos de 100 metros do quartel dos bombeiros, Inês correu até lá para pedir uma ambulância.
Entretanto, como confirma o comandante José Fernandes, os Bombeiros de Bragança receberam uma chamada do INEM às 07h06.
“A chamada cai no quartel às 07h06, accionada pelo CODU, que nos disse que a VMER, segundo informação do Hospital de Bragança, estava inoperacional”, disse ao CM José Fernandes, sublinhando que “seis minutos depois já os bombeiros estavam em casa da senhora, a efectuar manobras de reanimação”.
De resto, Inês Seixas acompanhou a mãe até ao hospital e disse ao CM que, mesmo à chegada, perguntou a um bombeiro se a mãe ainda tinha pulso, ao que o soldado da paz terá respondido que sim.
Maria do Carmo Vinhas foi levada para a sala de reanimações da unidade de Saúde, onde os médicos terão tentado recuperar a paciente, mas sem sucesso. No entanto, a versão do Hospital de Bragança, comunicada à família pela médica Soledade Paz, aponta para a senhora ter dado entrada já cadáver.
A família diz que, devido à ausência de socorro médico e à confusão quanto à hora da morte, irá agora recorrer aos tribunais.
ANA JORGE CRITICOU REFORMAS
Antes de ser convidada para ministra da Saúde, Ana Jorge admitiu “ser mal feito” o encerramento das Urgências sem alternativas válidas. Falando a 11 de Janeiro, enquanto deputada municipal do PS, numa sessão extraordinária sobre Saúde da Assembleia Municipal da Lourinhã, a sucessora de Correia de Campos – que tem vindo a assumir posições favoráveis ao encerramento de serviços de Saúde quando estes não reúnem condições de assistência à população – disse que “o mais importante é que uma pessoa doente tenha uma consulta no médico de família em tempo útil”.
Quanto ao encerramento de maternidades, afirmou que “não é linear dizer que é para fechar só por ter mais ou menos partos”. “Quando se pensa em encerrar algumas maternidades do Interior do País é melhor reflectir”, alertou, considerando que “os partos não devem acontecer em ambulâncias”, mas sim “em meio hospitalar onde há obstetras, pediatras e anestesistas”.
VIVER FORA DE SERVIÇO DAS SETE ÀS OITO
A administração do Hospital de Bragança assume a inoperacionalidade da Viatura Médica de Emergência (VMER), alegando falta de médicos. “Temos uma grave falta de recursos humanos e há horas em que não temos especialistas, nomeadamente na área da emergência, para colocar ao serviço da VMER”, disse Rita Paulino, porta-voz da administração da unidade de Saúde. Ao que o CM apurou, a viatura não teve clínico entre as 07h00 e as 08h00, a hora que medeia o fim do turno da noite e o início do turno da manhã. Apesar das várias tentativas, não foi possível saber se há outras horas do dia em que a VMER que está ao serviço do Hospital de Bragança não tem médico escalado, ficando, como é referido pela administração da unidade de Saúde trasmontana, a viatura “inoperacional”.
NOTAS SOLTAS
BRAGANÇA
Berta Nunes, coordenadora da sub-região de Saúde de Bragança, diz que os SAP do distrito só fecham quando estiver a funcionar o helicóptero e as ambulâncias de suporte avançado de vida.
SANTA COMBA DÃO
O SAP encerra em Março. Alternativa é uma viatura de suporte básico de vida, apesar de a autarquia garantir que tal apoio “não é suficiente”.
ANADIA
O presidente da Câmara de Anadia, Litério Marques, disse que não participa em protestos pela reabertura da Urgência hospitalar enquanto a ministra não tiver oportunidade de estudar em profundidade o assunto.
HIPERMERCADOS
Nos hipermercados da Sonae desfibriladores são usados há quatro anos. Os funcionários tiveram formação em suporte básico de vida.
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