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Correio da Manhã

Portugal
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Morte tramou gang de roubo milionário

Três anos depois do violento assalto ao Museu do Ouro e à Ourivesaria Freitas, em Viana do Castelo, o tribunal condenou ontem cada um dos cinco arguidos a 18 anos de cadeia. Surpreendida com a mão pesada do Tribunal de Júri, a defesa já fez saber que vai recorrer da decisão. Já o dono dos espaços assaltados considerou que o tribunal teve coragem de aplicar "penas exemplares".

3 de Novembro de 2010 às 00:30
Os arguidos Telmo Martins, 26 anos, Tiago Costa, 21, Miguel Cunha, 25, e Henrique Nunes, 39 anos. Bruno Ferreira, 26 anos, é o único em prisão preventiva
Os arguidos Telmo Martins, 26 anos, Tiago Costa, 21, Miguel Cunha, 25, e Henrique Nunes, 39 anos. Bruno Ferreira, 26 anos, é o único em prisão preventiva FOTO: Diogo Pinto

"Foi um crime quase perfeito, não fosse o destino da vida querer que Bruno Moreira falecesse, uma morte com a qual não contavam e que conduziu à descoberta da verdade", considerou o juiz-presidente durante a leitura do acórdão, que deu como provada a participação dos jovens no assalto sangrento, em Viana do Castelo, na manhã de 6 de Setembro de 2007.

A entrada de Bruno Moreira no Hospital da Trofa (veio a morrer no Hospital de São João, no Porto), levado por dois amigos que desapareceram de imediato, foi considerada pelo tribunal como o "ponto fulcral da prova".

O tribunal, que deu como provados todos os factos da acusação, entendeu que o grupo actuou com "extrema agressividade e violência", revelando "total desrespeito e desprezo pela vida", agravado pelo facto de no julgamento não terem revela-do "um pingo de arrependimento".

A mão pesada do colectivo surpreendeu os presentes, já que o Ministério Público tinha pedido penas de dez anos. A defesa já fez saber que vai recorrer.

"O mínimo que se pode fazer é recorrer, já que a prova se fundamenta nas contradições da acusação. Isto roça o absurdo", defendeu Gabriel Freitas, advogado de Tiago Costa e Bruno Ferreira, único em prisão preventiva.

Os factos remontam a 6 de Setembro de 2007, quando um grupo de assaltantes armados irrompeu pelo centro histórico de Viana, levando perto de 800 mil euros em ouro. Depois do assalto, houve uma acesa troca de tiros entre PSP e assaltantes, que acabou na morte de um dos ladrões.

"FOI UMA PENA EXEMPLAR E RARA NOS NOSSOS TRIBUNAIS"

Manuel Freitas, dono da Ourivesaria Freitas e do Museu do Ouro, era ontem, à saída do Tribunal de Viana do Castelo, um homem muito satisfeito, depois de ter assistido à leitura do acórdão que condenou a 18 anos de cadeia os cinco assaltantes. O Tribunal de Júri condenou também os arguidos ao pagamento de uma indemnização de 780 mil euros ao dono da ourivesaria palco de um violento assalto em 2007.

"Foi uma pena exemplar, que é raro ver aplicar nos nossos tribunais", referiu Manuel Freitas, de 70 anos. "Quando eles acabarem de cumprir a pena eu já terei morrido, portanto não me podem fazer mal", sublinhou ainda.

No depoimento emocionado que fez durante o julgamento, Manuel Freitas testemunhou a "extrema violência" usada pelos assaltantes. Ontem, disse "respirar de alívio", porque o tribunal "teve coragem para fazer justiça".

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