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Correio da Manhã

Portugal
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Morteiro provocou explosão em Fátima

Um português de 40 anos é suspeito de causar a explosão ocorrida em 20 de Agosto do ano passado no Santuário de Fátima, que feriu um peregrino. De acordo com a Polícia Judiciária, que já remeteu o processo ao Ministério Público para acusação, o homem terá atirado para o tocheiro de velas um morteiro não-militar, semelhante aos que são utilizados em espectáculos de pirotecnia e por claques de futebol.
1 de Abril de 2006 às 00:00
O homem, residente no concelho de Leiria, não tinha antecedentes criminais conhecidos e terá agido devido a uma crise emocional e familiar. Desempregado, separado da mulher e dos filhos, vivia um momento de descrença e perda de fé. São estas as conclusões da investigação conduzida pela Secção Regional de Combate ao Banditismo de Coimbra da Polícia Judiciária, que propôs ao Ministério Público de Ourém a acusação do arguido pelos crimes de explosão e ofensas à integridade física.
O rebentamento ocorreu na zona de queima de velas, junto à Capelinha das Aparições, às 09h00, e causou queimaduras ligeiras num peregrino espanhol, de 65 anos, obrigado a receber tratamento médico. O ferido, que acabava de deixar uma vela, teve alta do Hospital de Santo André, em Leiria, nesse dia.
O incidente aconteceu no terceiro fim-de-semana de Agosto – mês em que o Santuário acolhe milhares de emigrantes – e levou ao encerramento do tocheiro até às 17h00, mas todas as cerimónias decorreram com normalidade, passado o susto inicial.
À data, as polícias e a reitoria do Santuário explicaram o sucedido com a acumulação de gases resultante da queima de velas. Ontem, o reitor Luciano Guerra, ausente no estrangeiro, não esteve disponível para prestar declarações.
Uma fonte próxima da investigação revelou que foi utilizado “um engenho explosivo artesanal” com “reduzida capacidade”, que, mesmo assim, “podia ter provocado uma situação mais complicada”.
O suspeito, que se encontra em liberdade, terá adquirido o morteiro no circuito comercial, apesar da compra estar reservada a empresas e a profissionais autorizados.
FÁCIL DE ESCONDER
Um morteiro semelhante ao que foi usado em Fátima é fácil de esconder debaixo da roupa ou numa mochila, disse um porta-voz do comando distrital da PSP de Santarém. Por outro lado, “o Santuário é um espaço aberto, com inúmeros acessos, onde a Polícia não tem capacidade nem suporte legal para efectuar revistas individualizadas”, adiantou.
O graduado crê que esta explosão foi um caso isolado e não justifica um reforço de segurança. A vigilância no Santuário é feita pela PSP com agentes fardados e à civil e com recurso a câmaras de vídeo. Nas grandes peregrinações chegam a estar 200 polícias.
MEDO NA COVA DA IRIA
BOMBA FALSA
Uma bateria de câmara de filmar, confundida com uma bomba, levou a Brigada de Inactivação de Explosivos da PSP ao Santuário de Fátima na peregrinação de 13 de Maio de 2002. A intervenção demorou duas horas e culminou com a deflagração do objecto, mas não prejudicou as cerimónias. A bateria era de um peregrino de Paços de Ferreira e foi deixada num muro junto à colunata Sul.
ATAQUE AO PAPA
Na primeira visita ao Santuário de Fátima, em 1982, o Papa João Paulo II foi vítima de uma tentativa de assassínio pelo padre espanhol Juan Maria Krohn. O sacerdote, que tinha um punhal de 37 centímetros, foi travado por um agente da PSP quando tentava furar o cordão de segurança ao redor do Papa, junto ao altar do recinto.
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