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Correio da Manhã

Portugal
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Mortes suspeitas em Santa Comba

Duas mortes, a mesma suspeita – homicídio. Dois homens, de 90 e 46 anos, faleceram no concelho de Santa Comba Dão, de causas aparentemente naturais. Os familiares, no entanto, desconfiam de que foram vítimas de agressões – e, num dos casos, obrigaram à interrupção do velório para que o cadáver fosse autopsiado.
25 de Outubro de 2011 às 01:00
Maria Ferreira recusa qualquer responsabilidade na morte do marido, António Dias
Maria Ferreira recusa qualquer responsabilidade na morte do marido, António Dias FOTO: Rui Miguel Pedrosa

A entrada dos militares da GNR na Capela de Rojão Grande, no dia 20, apanhou de surpresa os que velavam o corpo de António Lagos Dias, 90 anos. Os descendentes desconfiaram da forma como o pai morreu e denunciaram o caso às autoridades. O processo foi encaminhado para o Ministério Público, que mandou suspender o velório para que o cadáver fosse autopsiado, na morgue de Viseu. O funeral acabou por realizar-se apenas no último sábado.

Segundo apurou o CM, os familiares suspeitam que António Dias possa ter morrido em consequência de alguma agressão, infligida pela mulher com quem vivia e a quem deixou todos os bens em testamento. Mas Maria do Carmo Ferreira, de 58 anos, recusa qualquer responsabilidade na morte do marido. "Sempre tratei bem dele e sofria bastante para lhe fazer a higiene, pois ele era grande e pesado."

"Na quinta-feira de manhã [dia 20], quando acordei, dei com ele já morto. Chamei os bombeiros e levaram-no", disse ontem ao CM a mulher de quem suspeitam.

Maria do Carmo Ferreira vivia com António Dias "há mais de 17 anos". Casaram-se e nunca tiveram filhos. Os seis descendentes dele – quatro mulheres e dois homens – nasceram de um primeiro casamento. Recentemente, o idoso de 90 anos fez um testamento, deixando a casa, um pinhal e outros bens apenas à mulher.

"Fez isso porque quis e disse que eu merecia ficar com tudo", adiantou Maria do Carmo Ferreira. Os descendentes desconfiaram. Os resultados da autópsia, fundamentais para apurar as causas da morte, ainda não eram ontem do conhecimento da mulher do falecido.

"ERA SANGUE POR TODO O LADO NAQUELE QUARTO"

"Não podemos acusar ninguém, mas estamos desconfiados com o que aconteceu", afirmou ontem ao CM a mãe de João Manuel Pereira Duarte, um viúvo de 46 anos que foi enterrado dia 21, em Treixedo, Santa Comba Dão. Maria Rosa encontrou o filho em casa, a sangrar e a agonizar: "Era sangue por todo o lado naquele quarto." Aflita, pediu ajuda a uma vizinha, que accionou os meios de socorro. Transportado ao Hospital de Tondela, João Duarte foi transferido para o Hospital S. Teotónio, em Viseu, onde acabou por falecer, alegadamente "devido a uma hemorragia interna". Tendo em conta que o filho era uma pessoa "saudável", Maria Rosa desconfia da forma como morreu. Isto porque, dias antes, terá sido agredido de forma violenta por vários homens. João Duarte deixa órfãos quatro filhos.

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