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Correio da Manhã

Portugal
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Morto à catanada

Num dos jardins da Serra das Minas, em Sintra, está montado um pequeno altar em memória de Mário Lopes. Era ali que o rapaz de 20 anos brincava quando era criança. E foi ali que tombou, sábado ao final da tarde, vítima de um golpe fatal de catana.
14 de Junho de 2005 às 00:00
O tormento dos moradores da rua de Angola, na Serra das Minas, começou há cerca de um mês à porta de Mário Lopes. “O meu filho mais novo, de 15 anos, ia a passar com a namorada quando um rapaz lhe mandou um piropo”, disse Ana Paula Lopes, mãe da vítima, ao CM.
O tal rapaz, residente no Cacém e conhecido por ‘Trancinhas’, foi confrontado pelo irmão de Mário e saiu do carro de arma em punho. O que não esperava era que um grupo de moradores chegasse em defesa do rapaz de 15 anos e lhe retirasse a arma. A pistola ficou na posse dos populares. Só no sábado, após o homicídio, a entregaram à GNR.
Os moradores também não pensaram que, com aquela atitude, acabavam de abrir uma guerra com o grupo de amigos do ‘Trancinhas’.
“Começaram a vir cá partir carros e chegaram a agredir um amigo dos meus filhos”, recorda Ana Paula Lopes. Nos seus ataques o grupo só procurava uma coisa: a arma que tinha sido retirada ao ‘Trancinhas’.
Sábado, pelas 18h30, o ‘Trancinhas’ chegou num carro cheio de amigos, escoltado por outros dois carros. Era um grupo de 11/12 rapazes. “O olhar deles estava repleto de ódio”, disse Ana Paula. Temendo que algo acontecesse, a mulher alertou os rapazes para que fossem embora. Segundos depois do aviso, o ‘Trancinhas’ abria a porta do carro com violência e atingia Ana Paula.
Mário Lopes, um dos quatro filhos, viu a situação pela janela e correu em socorro da mãe. Minutos depois estava cercado pelo grupo, composto por rapazes de faca em punho, todos eles entre os 16 e os 20 anos.
Um deles, além de uma faca, tinha uma catana. E foi com ela que desferiu o golpe fatal. Mário gritou pela mãe, andou uns metros e tombou na relva onde brincava em criança. Um irmão e um amigo ficaram feridos.
O grupo enfiou-se dentro de um carro e fugiu quando ouviu dois disparos. A GNR apanhou seis deles no Cacém e apreendeu os carros e as facas deixadas na Serra das Minas.
TENTATIVA DE VIOLAÇÃO
No dia seguinte à tragédia que se abateu na rua de Angola, na Serra das Minas, os moradores voltaram a acordar com gritos. No domingo de manhã, ‘Ana’, nome fictício, levantou-se tarde para ir trabalhar. Perdeu o autocarro para o Lidl e decidiu atalhar caminho a pé. Foi abordada por um homem que lhe apertou o pescoço e lhe roubou um telemóvel. O agressor, que a vítima diz conhecer de vista, ainda tentou violá-la mas a rapariga, de 20 anos, conseguiu escapar e pedir auxílio aos moradores da rua de Angola. ‘Ana’ era amiga de Mário Lopes mas afirma que o roubo de que foi alvo não está relacionado com a violência que matou o amigo.
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