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Correio da Manhã

Portugal
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Morto à frente da namorada

O homem que disparou contra um jovem de 24 anos, matando-o no interior do Café da Palha, no Parque das Nações, em Lisboa, continua a monte. Residente no Prior Velho, uma freguesia do concelho de Loures, o homicida está identificado pelas autoridades, que acreditam que o crime foi motivado por um ajuste de contas. António Reais, a vítima, conhecia aquele que na madrugada de sábado o assassinou.
25 de Junho de 2008 às 00:30
A irmã de António Reais exibe uma camisola com a foto da vítima
A irmã de António Reais exibe uma camisola com a foto da vítima FOTO: Ricardo Reis

António encontrava-se no Café da Palha na companhia da namorada – gravidade de cinco meses – e de um amigo quando encontrou o homicida. Terão trocado umas palavras azedas, mas nada de mais, pois no interior do estabelecimento ninguém se apercebeu de confrontos, até se ouvir o disparo.

A vítima encontrava-se no primeiro andar do bar quando foi avistada pelo homicida que, saiu do café e regressou com a arma (uma 6,35 milímetros) que usou contra António, conta ao CM a mãe da vítima, garantindo que o porteiro do bar – com quem o CM não conseguiu chegar à fala – conhece o homicida, pois residem no mesmo bairro.

"Ele[oporteiro] viu-o sair do estabelecimento e regressar pouco tempo depois", reafirma a mãe da vítima, que já foi ouvida pela Polícia Judiciária, encarregue da investigação.

António Reais morava em Chelas, na Avenida João Paulo II. A mãe confirma que ele nem sempre se terá portado bem. Segundo fontes policiais, António cumpriu pena por tráfico de droga e furtos.

Foi libertado há cinco meses, adiantou ao CM o irmão, Denilson, sublinhando que o jovem era "muito calmo a amável". Mas na zona onde morava – o Bairro do Condado, conhecido pela Zona J de Chelas – nem todos são da mesma opinião. Há quem recorde António como um tipo que andava metido em negócios e "terá sido por isso que o mataram".

O corpo está no Instituto de Medicina Legal e deverá ser autopsiado hoje.

PORMENORES

ENTREGOU OS FILHOS

É com mão-de-ferro que a mãe de António dirige a casa. Sem papas na língua diz que nasceu em Angola e veio para Portugal há 34 anos. "E, em todo este tempo, nunca a polícia entrou na minha casa. Fui sempre eu que fui ter com ela para entregar os meus filhos", garante ao CM, considerando que "em casa não se geram [criam] venenos".

TRÊS IRMÃOS MORTOS

António Reais foi o terceiro dos nove irmãos a morrer jovem. Antes de António, morreu Ricardo. "Foi há seis meses. Ricardo tinha 33 anos e era toxicodependente", conta a mãe, acrescentando que já tinha perdido um filho na Guiné. Também o marido morreu há cerca de três anos, emigrado em Inglaterra.

GRÁVIDA DE UMA MENINA

Com António morto, a família questiona o que vai ser da namorada grávida de cinco meses de uma menina e o que vai ser desse bebé

 

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