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Correio da Manhã

Portugal
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Morto à frente dos filhos

Um homem matou um vizinho à facada em frente aos dois filhos da vítima, de 8 e 10 anos. Estava convencido de que lhe entravam em casa e o roubavam e ameaçou matá-los a todos. O caso passou-se na Lousã, em Setembro do ano passado. Nove meses depois, o Ministério Público acusa-o de dois crimes de homicídio qualificado, um deles consumado e outro na forma tentada.

23 de Junho de 2008 às 00:30
José Amado foi morto à porta de casa
José Amado foi morto à porta de casa FOTO: Luís Filipe Coito

O homicídio ocorreu no dia 19 de Setembro, mas os problemas entre o arguido, Vítor C., de 64 anos, e o casal eram anteriores. Segundo a acusação, desde Abril que Vítor C. mantinha um "relacionamento hostil" com as vítimas. Até que ao fim de meio ano de "má vizinhança" decidiu "livrar-se em definitivo da convivência de quem tanto o irritava".

Ao final da tarde desse dia, munido de uma faca de cozinha, que tinha previamente afiado na garagem de sua casa, tocou à campainha do casal. Quando José Amado, de 40 anos, abriu a porta, Vítor C. empunhou a faca e golpeou-o no tórax, tendo a vítima caído de imediato.

Segundo descreve o MP, o arguido entrou no apartamento e sempre "com a faca em punho" correu atrás da mulher (de 38 anos) de José Amado, que se refugiou num quarto. Os dois filhos do casal, uma menina de oito anos e um rapaz de 10, presenciaram tudo "em clima de terror profundo" e esconderam-se debaixo da cama dos pais "profundamente assustados".

José Amado ainda conseguiu levantar-se e tentou evitar que o arguido atingisse a restante família, mas foi de novo esfaqueado, tombando no chão. Entretanto, a mulher gritou aos filhos para "fugirem dali e pedirem ajuda" aos vizinhos.

Foi um vizinho que conseguiu retirar a faca a Vítor C. e o levou para a entrada do prédio até chegarem as autoridades. Nessa altura, o homicida, também ferido, ainda manifestou o desejo de matar a sua vizinha. "Isto era para todos", disse.

PORMENORES

INIMPUTÁVEL PERIGOSO

O arguido foi considerado "inimputável perigoso" pelos psiquiatras do Instituto Nacional de Medicina Legal. O relatório da perícia conclui que "é portador de uma perturbação delirante persistente", não se podendo "excluir a sua eventual perigosidade social".

INTERNADO

A medida de coacção de prisão preventiva, que lhe tinha sido aplicada aquando da detenção, foi substituída por internamento preventivo. Também a acusação deduzida pelo Ministério Público é para aplicação de medida de segurança.

FACA NAS ERVAS

A faca foi encontrada no meio de ervas no exterior do prédio. Foi para ali atirada pelo filho da vítima que a agarrou quando o homicida foi desarmado.

QUEZILENTO

O arguido é definido como tendo personalidade "quezilenta e conflituosa". Fez queixas dos vizinhos, acusando-os de roubo.

 

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