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Correio da Manhã

Portugal
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Morto à pancada dentro da oficina

O proprietário de uma oficina de automóveis de Canhoso, Covilhã, foi encontrado morto no local de trabalho, ontem de madrugada. Apresentava sinais de ter sido assassinado à pancada, com uma barra de ferro. Eugénio Duarte, de 58 anos, não contactava a família desde sexta-feira à noite. O sócio foi dar com ele às 03h00, rodeado de sangue e já cadáver.
18 de Outubro de 2010 às 00:30
Eugénio Duarte, 58 anos, não contactava a família desde sexta-feira à noite
Eugénio Duarte, 58 anos, não contactava a família desde sexta-feira à noite FOTO: Edgar Martins

"As luzes estavam acesas e, mal entrei na oficina, deparei-me com o Eugénio deitado no chão, numa poça de sangue, com vários golpes na cabeça e na cara. No início, pensei que tivesse caído, mas depois vi os ferimentos e não tive dúvidas. Ele foi morto", descreve Rui Raposo, que viu pela última vez o sócio na sexta-feira, às 18h30. "Disse-me que ia ficar a trabalhar até mais tarde", recorda.

Segundo fontes policiais, o homicídio pode ter sido originado por um ajuste de contas. No entanto, não está descartada a hipótese de Eugénio Duarte ter sido espancado na sequência de um assalto.

O alerta para o de-saparecimento da vítima foi dado por um irmão. "Procurei-o em vários locais, fui à oficina e não vi o carro dele. Afinal, estava morto lá dentro", lamentou José Duarte.

Rui Raposo reconhece que o sócio "por vezes tinha mau feitio", mas nem assim encontra explicações para o crime, que está a ser investigado pela PJ da Guarda.

"FALTA DE DINHEIRO DÁ ORIGEM A PROBLEMAS"

Eugénio Duarte era divorciado e pai de duas filhas – uma trabalha em Bruxelas e a outra numa fábrica em Coimbra. Vivia com a mãe, de 86 anos, num bairro periférico de Canhoso. Os vizinhos consideravam-no "trabalhador" e, apesar de "ter mau feitio", não se metia "em grandes desentendimentos". Arménia Vaz, vizinha, lamenta a morte de ‘Genito’, como carinhosamente era tratado pelos amigos. "Sempre que lhe pediam alguma coisa ele fazia e ajudava", adianta.

Tal como o irmão de Eugénio, também João Neto, amigo do mecânico, esteve na oficina no sábado à tarde, para dar de comida aos cães que guardam o edifício. "Estive a alimentar os cães e não me apercebi de nada, nem dei conta de que a porta lateral estava aberta", afirmou ontem ao CM, suspeitando de que o amigo tenha sido vítima de uma cilada ou de vingança. "Hoje em dia, nunca se sabe. Há pessoas capazes de fazer tudo por qualquer motivo. E a falta de dinheiro nos negócios dá origem a muitos problemas", disse.

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