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Correio da Manhã

Portugal
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Morto ao tentar cobrar uma dívida

Familiares e amigos do empresário de Cantanhede assassinado anteontem com um tiro na cabeça não conseguem compreender o que está por detrás deste crime. O pai, Acácio Trancho, garante que o filho não tinha negócios escuros e que tudo ocorreu quando esperava um cliente para cobrar uma dívida. “Acredito nas investigações da PJ e por isso espero ver o assassino preso”, disse.
8 de Março de 2008 às 00:30
Ainda não é conhecido o móbil do crime mas o pai acredita que poderá ter a ver com a cobrança de uma dívida a um outro empresário do ramo dos leitões residente em Alpalhão, Anadia, local onde Carlos Alberto Trancho, de 29 anos, foi abatido a tiro por um homem que se deslocava num Opel preto.
“Só ele é que sabia que o meu filho lá estava à espera, porque ele andava a gozar com o meu Carlos, que o avisou de que se ia pôr à porta dele e que não saía de lá sem receber”, afirmou ao CM Acácio Trancho, ressalvando, no entanto, que “compete agora à Judiciária apurar a verdade e descobrir o criminoso”.
Abel Coelho, a única testemunha do homicídio, explica que Carlos Trancho, negociante de leitões, tinha estacionado o carro em frente à sua casa na Rua Principal, em Alpalhão, e perguntou-lhe se era ali que morava Carlos “Passarinho” (que supostamente lhe devia dinheiro). “Disse-lhe que era na casa ao lado e virei costas, apercebendo-me de que parou um carro”, explicou. Segundo ele, houve uma acesa troca de palavras entre os dois, com o condutor do Opel preto a dizer: “Isto não fica assim, hás-de pagar-mas, porque eu dou-te um tiro que te mato.” Quando Abel Coelho chegou perto de Carlos Trancho viu que tinha sido baleado num olho e que já não tinha sinais vitais. A bala ficou alojada no cérebro.
E explicou: “Foi tudo muito repentino, não deu para ver quase nada. Ouvi um disparo e quando olhei para trás já um carro estava a arrancar a grande velocidade.”
O pai da vítima é o único membro da família com algum fôlego para falar mas não consegue encontrar uma explicação para o crime. Garante que o filho era uma pessoa que vivia para o trabalho e para a família, tendo como único hobby o motocrosse. “Não fumava, não bebia, não saía à noite, e os domingos eram passados no motocrosse ou com os filhos e a mulher”, diz. Nega que o filho tivesse problemas económicos.
Na casa dos Trancho, no lugar de Vendas Novas, freguesia de Bolho, Cantanhede, as lágrimas escorrem pelos rostos e mais ninguém quer falar com a Imprensa. “Foi um choque muito grande”, explica entre soluços Patrícia Trancho, irmã de Carlos, olhando para a sobrinha, de 15 meses, que trazia ao colo. “Já viu? Tão pequenina e ficar sem pai desta maneira!”, afirmou.
A PJ já ouviu a testemunha e o alegado devedor.
APAIXONADO POR CORRIDAS
Carlos Alberto Gomes Trancho teve uma vida curta, mas muito marcada pelo trabalho. Nunca quis estudar e começou a trabalhar com 14 anos. Foi proprietário do Restaurante “Boa viagem”, na Mealhada, que trespassou há pouco tempo. A sua paixão era o Motocrosse, desporto no qual estava já a iniciar o seu filho mais velho, de apenas oito anos. Para além deste menino, deixa também uma bebé de apenas 15 meses.
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