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Correio da Manhã

Portugal
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Morto e três feridos em tiroteio passional

Apanhou a namorada a chegar ontem à noite a casa, em Cascais, e encostou-lhe uma pistola às costas para que o deixasse subir. Foram direitos à sala, onde estavam a mãe e um tio da rapariga, de 19 anos, menos dois anos do que ele. Disparou de imediato à cabeça da mãe, depois do tio e acabou na nuca da namorada. À hora de fecho desta edição só o tio estava fora de perigo e ainda falou ao CM. As restantes vítimas resistiam no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, excepto o homicida: enfiou a última bala na cabeça e caiu morto.
26 de Março de 2008 às 12:00
Crime cometido num segundo andar da rua das Fontainhas
Crime cometido num segundo andar da rua das Fontainhas FOTO: Mariline Alves
Eram 19h30 quando Cátia Junqueiro foi surpreendida à porta do prédio, na rua das fontainhas. 'A minha sobrinha chegou a casa de pistola apontada às costas e ele mandou-nos entrar todos para a sala', descreveu ao CM Eduardo Junqueiro, 46 anos, mal saiu ontem à noite do Hospital de Cascais. 'O Hugo deu logo um tiro na cabeça da minha cunhada [Lizete, mãe de Cátia], que estava com uma criança ao colo. Logo a seguir deu-me um tiro a mim, na cabeça, mas foi de raspão. A bala saiu logo. Tive sorte. Fingi que estava morto, deixei-me cair no sofá de olhos fechados e ouvi-o dar mais dois tiros. Primeiro na minha sobrinha, depois nele. Foi nessa altura que lhe dei um pontapé. Ele caiu mas ainda deu outro tiro na cabeça.' Eduardo, que falou ao CM já de olho vendado por uma ligadura e depois de uma TAC feita no Hospital de Cascais, tirou a arma ao homicida e correu para a rua a chamar a polícia. 'Entreguei-lhes a pistola.'
Cátia tinha um filho de um ano em comum com Hugo. O bebé estava dentro do apartamento quando o pai começou a disparar. 'Ele metia-se na droga e ela rejeitava-o', conta o pai da vítima, Alfredo Junqueiro. Aos 47 anos, sobreviveu à tragédia por não estar em casa, assim como os dois netos – o outro, de três anos, é filho da filha mais velha. Alfredo nunca esperou este desfecho mas reconhece que a vida do casal não era fácil – 'ele ameaçava-a e batia-lhe'. Os vizinhos dizem que Hugo 'devia andar metido em negócios esquisitos. Via-se que era um rapaz da rua'.
TESTEMUNHO DA VÍTIMA
Deu logo um tiro na cabeça da minha cunhada e a seguir a mim. Por sorte a bala saiu. Fingi que estava morto. Deixei-me cair no sofá de olhos fechados e ouvi tiros. Dei-lhe um pontapé .
Eduardo Junqueiro
OUTROS  CASOS
ESFAQUEOU IRMÃOS
No último dia 12 dois irmãos foram esfaqueados até à morte por um terceiro irmão que ainda se tentou matar, numa padaria da rua de Gondarém, freguesia da Foz do Douro, Porto. Na origem do crime estiveram questões de heranças entre os três irmãos.
ASSASSINOU MULHER
No dia 1, em Ferreira do Zêzere, um homem matou a mulher com um tiro de caçadeira e suicidou-se de seguida. O homicídio teve origem em desavenças antigas do casal.
MATOU OS PAIS
No dia 2, em Sacavém, um homem de 40 anos avançou para os pais e assassinou-os à pancada. Entrou no quarto dos pais à noite, atacou-os enquanto dormiam e suicidou-se.
TRIPLO HOMICÍDIO
Na manhã de 17 de Setembro do ano passado, no Montijo, um homem abateu a tiros de caçadeira a mulher e as duas filhas. Depois cobriu o corpo de notas, sentou-se em cima da cama e suicidou-se com um tiro na cabeça.
HORROR
Uma vizinha toma conta do filho do agressor e da vítima após o tiroteio. O pai de Cátia contou ao ‘CM’ os pormenores da tragédia. No 2.º andar do 446 da rua das fontainhasa polícia aguarda a chegada do médico legista.
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