Um grupo de doze indivíduos, que se dedicava ao negócio das cobranças difíceis, acaba de ser pronunciado pelo Tribunal de Instrução Criminal do Porto pela morte do jovem Tiago Ferreira, de 23 anos, em 2007. A decisão não tem recurso e o processo segue para julgamento no Tribunal de Valongo. A vítima, um elemento do grupo de quem os restantes desconfiavam, foi encontrada dois meses depois de ter sido morta, a boiar no fundo de um poço, na Serra de Pias, em Valongo.
Os suspeitos foram todos pronunciados nos exactos termos da acusação pública: oito crimes de extorsão, nove de furto de documento, nove de falsificação, dois de rapto, quatro de detenção de armas proibidas, um de homicídio qualificado e um último de receptação.
O grupo era liderado por um ex--guarda-redes de futsal, de 33 anos, e é composto ainda por três empresários que contactavam os restantes para efectuar cobranças difíceis de supostas dívidas. As empresas que alegadamente requisitaram os serviços são da área do calçado, em São João da Madeira, comércio e reparação de automóveis, em Matosinhos e Gaia, e ainda um estabelecimento comercial no Porto, que terá fornecido àquele grupo a lista dos calotes dos seus clientes.
Segundo a acusação do Ministério Público, o líder do grupo furtava também cheques numa empresa da Maia, onde era chefe de armazém. Contava com a ajuda de Tiago Ferreira, que acabou por ser morto, cabendo àquele depositar os cheques, falsificando as assinaturas.
Após o sucesso em vários furtos, diversos cheques foram cancelados e o grupo passou a desconfiar de Tiago, que não depositou um dos cheques na data-limite e contou a outros as acções ilícitas do grupo.
O episódio foi o tiro de partida para os restantes delinearem um plano para matar o jovem. E a 23 de Janeiro do ano passado executaram o crime violento, depois de, munidos de pás e sacholas, levaram o jovem até Serra de Valongo. Agrediram-no violentamente, fracturando-lhe o crânio.
CADÁVER NO FUNDO DO POÇO
O cadáver do jovem foi descoberto por acaso por um popular. Foi a 7 de Março do ano passado, no fundo de um poço, na Serra de Pias, em Valongo, e embora estivesse em adiantado estado de decomposição não foi difícil proceder à identificação do corpo.
Nessa altura, já há dois meses que a Judiciária procurava o rasto do seu paradeiro. E encontrado o corpo foram esclarecidos todos os contornos dos crimes. Numa semana, a SecçãoRegional de Combate ao Banditismo deteve cinco pessoas, a quem imputou a morte do jovem.
ARRISCAM A PENA MÁXIMA
Os principais arguidos arriscam a pena máxima neste processo. Vão ser julgados no Tribunal de Valongo e respondem pelos crimes de associação criminosa, extorsão, rapto, furto, falsificação de documentos, detenção de armas proibidas e homicídio qualificado. A violência do crime e a forma aparentemente planeada como executaram o homicídio para encobrir o esquema de furtos é uma agravante dos seus actos. Além disso, a PJ apreendeu-lhes pelo menos um revólver calibre .38, que terá sido usado em crimes anteriores.
PORMENORES
MORTO COM SACHOLAS
Tiago foi morto por quatro colegas na Serra de Pias, em Valongo. Munidos de pás e sacholas agrediram-no até lhe fracturarem o crânio. Ficou inanimado no chão. Mais tarde, os indivíduos voltaram ao local e, percebendo que o jovem não havia morrido, desferiram um último golpe fatal com a sachola na cabeça. Não conseguindo escavar um buraco, atiraram o corpo para o fundo de um poço.
LIPOR ENTRE AS EMPRESAS
Entre as empresas cujos cheques foram furtados num esquema do líder do grupo está a LIPOR. Esses meios de pagamento eram desviados no armazém onde o líder trabalhava como responsável. Os cheques eram depois depositados por Tiago em contas abertas para o efeito, mediante a falsificação de carimbos e assinaturas. No primeiro ‘negócio’ com uma empresa da Póvoa do Lanhoso subtraíram 16 mil euros.
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