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Correio da Manhã

Portugal

Mortos à facada

Um homem, de 80 anos, esfaqueou até à morte a mulher, de 73, em Jovim, Gondomar, ontem ao início da tarde. Após o homicídio, trancou-se no seu quarto e usou a mesma arma para se suicidar.
20 de Julho de 2008 às 00:30
Os corpos dos dois idosos foram recolhidos da residência cerca de quatro horas após a tragédia
Os corpos dos dois idosos foram recolhidos da residência cerca de quatro horas após a tragédia FOTO: Sónia Caldas

Maria Cindina Peixinho acabara de se deitar após o almoço, pelas 13h45, para repousar um pouco, no quarto onde  dormia desde que, há poucos meses, removeu um seio, quando o marido, ArnaldoPassosPeixinho, de 80 anos, entrou repentinamente e lhe desferiu uma facada mortal no coração. A septuagenária ainda terá tentado esquivar-se, como demonstram outros ferimentos, nos braços e na perna, mas o ferimento no peito foi fatal. Arnaldo Peixinho retirou-se do quarto empunhando a arma branca, assim que viu o genro e a filha, alertados pelos gritos da mulher.

Entretanto, Arnaldo trancou-se no seu próprio quarto, indiferente aos berros e ameaças que ouvia no corredor. "Tem de levar a mesma morte que ela, tem de morrer também", ouvia Arnaldo, no exterior, reconhecendo a voz da filha, em cujos braços acabara de morrer a sua companheira de mais de cinquenta anos.

Antes que a porta do quarto onde se refugiara fosse arrombada, o idoso decidiu pôr termo à vida, esfaqueando-se no peito e nos braços. Ficou a esvair-se em sangue, pelo que quando finalmente a porta se abriu com um último encontrão mais forte, o último fio de vida do idoso já se extinguira .

A filha Manuela, o marido desta e as duas filhas deste casal, que dividiam a casa com os pais e avós, trataram de chamar a GNR e os bombeiros. Os telefonemas seguintes foram para alertar outros dois filhos e uma filha das vítimas.

Ao princípio da tarde familiares chegavam para se inteirar do sucedido, incrédulos com a cena de extrema violência ali ocorrida. Diante da residência, no 915 da Rua de Santa Cruz, em Jovim, aglomeravam-se vizinhos, unânimes na surpresa, pois apesar de o casal não ser visto muitas vezes no exterior, sempre foram tidos como pessoas "simpáticas e afáveis".

HISTÓRIA DE VIOLÊNCIA NO LAR

O casal, vindo de Angola, residia em Jovim há cerca de trinta anos. Arnaldo Peixinho era marceneiro reformado mas ainda fazia alguns móveis mais simples, como cadeiras ou mesas, para uns poucos que os encomendavam.

Outro dos seus hóbi era a criação de aves: "Criava pássaros, periquitos e pintassilgos, e até fazia criação da garnizés", lembra Amélia Augusta Silva, de 76 anos, e uma das poucas vizinhas que privava com as vítimas. Amélia ouviu os gritos dos familiares quando a tragédia estava consumada. Lembra que Cindina terá sido alvo de maus tratos do marido mas isso eram águas passadas, porque a filha ‘Nela’ se impunha. "São horas do diabo", diz Amélia, encolhendo os ombros para sublinhar que não há razões que expliquem tamanha tragédia. "Falava com a Cindina mas ultimamente ela não me falou de nada de especial".

 PORMENORES

SURPRESA

Pouco antes da tragédia, a idosa foi descansar para o quarto após o almoço, e a filha até a aconselhou a dormir um pouco. Nada fazia adivinhar a cena de violência desmedida que se desenrolou minutos depois.

RESISTÊNCIA

Arnaldo Peixinho ainda foi interpelado pelo genro, que o tentou desarmar, após ter esfaqueado a mulher até à morte. O octogenário defendeu-se e acabou por se refugiar no seu quarto, onde consumou o suicídio, com a mesma arma com que assassinou a mulher.

COMOÇÃO

O incidente causou viva comoção na freguesia, sobretudo na zona onde residia o casal Peixinho. Muitos vizinhos foram ao local tentar saber pormenores do sucedido, mas não encontram explicações que justifiquem as duas mortes.

 

 

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