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Correio da Manhã

Portugal
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Motoristas de transporte de passageiros do Norte admitem prolongar greve

Trabalhadores admitem manter a paralisação em "janeiro e fevereiro" se não houver acordo com a ANTROP.
Lusa 2 de Dezembro de 2019 às 18:43
Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP
Luís Cabaço Martins, presidente da ANTROP FOTO: Pedro Freitas Silva/Lusa
Os motoristas do setor privado de transporte de passageiros do Norte que começaram esta segunda-feira uma greve que se prolonga durante todo o mês admitem manter a paralisação em "janeiro e fevereiro" se não houver acordo com a ANTROP.

A greve que arrancou às 00h00 e se prolonga até às 24h00 de 01 de janeiro, é para ser feita às folgas e feriados, assim como nos restantes dias às duas primeiras e últimas horas de cada dia, explicou José Manuel Silva, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN).

Em declarações à Lusa, aquele responsável explicou, contudo, que ainda não é possível fazer um balanço do impacto deste primeiro de greve, uma vez que, nesta primeira fase os trabalhadores "estão a recusar-se a trabalhar as folgas".

O impacto, salientou José Manuel Silva, sentir-se à medida que os trabalhadores avançarem para a paralisação às duas primeiras e últimas horas de cada dia.

"Os trabalhadores vão avaliar, a cada dia, os horários em que a greve tenha um maior impacto", acrescentou, lembrando que esta paralisação tem a duração de um mês.

À Lusa, o dirigente admitiu ainda que a greve pode prolongar-se pelos meses de janeiro e fevereiro se a Associação Nacional de Transportes de Passageiros (ANTROP) não chegar acordo para o pagamento dos retroativos.

No dia 20 de novembro, o STRUN decidiu manter a greve agendada para todo o mês de dezembro, depois de terem falhado novamente as negociações com a ANTROP que, nesse mesmo dia, voltou a propor o pagamento de dois meses de retroativos.

A proposta foi mais rejeitada pelo sindicato que reclama o pagamento de 300 euros, "30 euros por mês, desde fevereiro, mais o subsídio de férias".

No dia anterior, numa reação à convocação da greve, o presidente da ANTROP, Luís Cabaço Martins, defendia que aceitar este pagamento seria desrespeitar os outros sindicatos, mas admitia, "no limite" uma solução de compromisso, como por exemplo o pagamento de um mês de retroativos.

"Não fazia sentido agora pagar os retroativos desde fevereiro quando tiveram a oportunidade de assinar o acordo e não o fizeram", declarou Luís Cabaço Martins.

"Esta greve é absurda. É um sindicato que rejeita aumentos salariais. É ridículo", referia à data, garantindo não ser verdade que a ANTROP faltou ao acordado, como acusa o STRUN.

Num comunicado para explicar as razões que levaram o STRUN a manter a greve, o sindicato refere que, no dia 09 de novembro, uma reunião onde foi possível chegar a um consenso em quase todas as matérias, a ANTROP veio "dar o dito por não dito no que diz respeito aos retroativos a atribuir aos trabalhadores".

No mesmo documento, o STRUN adianta que inicialmente a ANTROP afirmou que, caso chegassem a acordo, "aplicaria os retroativos a todos os associados desde fevereiro", mas, mais tarde "veio dizer que apenas paga a partir da assinatura do acordo".

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