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Correio da Manhã

Portugal

MP pronto para acusar

A Polícia Judiciária já fez chegar o processo ao Ministério Público e Maria das Dores, a socialite presa em Tires por ser suspeita de ter mandado assassinar o marido, a 20 de Janeiro, em Lisboa, deverá conhecer a acusação nas próximas semanas.
18 de Junho de 2007 às 00:00
MP pronto para acusar
MP pronto para acusar FOTO: Pedro Garcia / Flash
Homicídio qualificado é a proposta da PJ para a mulher da vítima e tanto ela como os dois carrascos do empresário Paulo Cruz, um brasileiro e um cabo-verdiano contratados para matar, arriscam até 25 anos de cadeia.
Os três estão presos preventivamente e a Secção de Homicídios há muito que tem “provas suficientes” contra Maria das Dores, presença assídua das revista do social, e os dois estrangeiros, disse ao CM, logo em Fevereiro, fonte ligada ao processo.
Faltava à PJ o resultado dos testes de ADN, que se juntam assim às provas circunstanciais e à confissão de um dos suspeitos, um carpinteiro cabo-verdiano que, com a sua marreta do trabalho, terá dado os dois golpes fatais na cabeça de Paulo Cruz, empresário de 45 anos.
A marreta do cabo-verdiano, ainda com vestígios de sangue e cabelo da vítima, foi apreendida pela PJ em casa do pai do suspeito, onde foram também detectados pelos inspectores documentos pertencentes à vítima.
No seu testemunho este homem adiantou ainda que Maria das Dores lhes prometera pagar, a ele e ao brasileiro João Paulo, motorista que trabalhara para o casal Pereira da Cruz, 153 mil euros pela execução do marido.
O cabo-verdiano confessou ainda que, horas antes do crime, na tarde de 20 de Janeiro, Maria das Dores se encontrou com eles no jardim do Campo Grande, em Lisboa, adiantando a cada um 1500 euros.
Maria das Dores deverá ser chamada a responder no Tribunal da Boa-Hora pela autoria moral do crime, enquanto os dois cúmplices, que, alegadamente, esperavam Paulo Cruz atrás de uma porta do terceiro andar do número 11 da Avenida António Augusto de Aguiar (ver caixa), respondem pela autoria material.
"MATERIAL BIOLÓGICO" INCRIMINA
Maria das Dores e o brasileiro João Paulo negam qualquer envolvimento no crime, mas os especialistas do Laboratório de Polícia Científica recolheram junto do corpo da vítima “material biológico” que os exames genéticos ligam ao suspeito. A análise da facturação detalhada do telemóvel da principal suspeita do crime demonstra o que terá acontecido no dia 20 de Janeiro. Nos segundos que antecederam o homicídio, Maria terá ligado para o assassino contratado para lhe dar instruções sobre a chegada do marido, de elevador, ao terceiro andar, enquanto ela subia a escadas do prédio. A mulher do empresário, que segundo fontes próximas da vítima estaria “apavorada com a intenção de Paulo Cruz em se divorciar” e com a consequente perda de regalias, justificava o não andar de elevador com a claustrofobia. Atrás da porta estavam os dois assassinos e Paulo Cruz, que não resistiu à violência das pancadas na cabeça, deixa por criar um filho de sete anos, que, com a mãe presa, está entregue aos avós.
PORMENORES
FILHO MENOR
O empresário assassinado, Paulo Pereira da Cruz, deixou um filho, Diogo, de sete anos, que foi entregue aos cuidados dos avós paternos aquando da detenção da mãe, Maria das Dores.
UM MILHÃO DE EUROS
A herança de Paulo Cruz - bens imóveis e um seguro de vida no valor de um milhão de euros - terá constituído o mote do crime pois o empresário já pedira o divórcio a Maria das Dores, que acumulava dívidas.
CLAUSTROFOBIA
O crime foi perpetrado quando Paulo Cruz chegou à casa que alugara mas onde ainda não residia, na Avenida António Augusto de Aguiar. O empresário chegou sozinho pois subiu ao terceiro andar de elevador enquanto a mulher, alegando claustrofobia, subiu pelas escadas. E foi nesses escassos minutos, enquanto a socialite subia as escadas, que o empresário foi morto à pancada.
SAIBA MAIS
- 194 casos de homicídio deram entrada em 2006 na Polícia Judiciária, o que representou um acréscimo de 20,5 por cento face ao ano anterior.
- 2497 pessoas foram detidas em 2006 (mais 11 por cento face a 2005) a mando da Polícia Judiciária, por suspeitas da prática de crime.
LABORATÓRIO
O Laboratório de Polícia Científica é um departamento de apoio da Directoria Nacional da Polícia Judiciária ao qual compete a realização de perícias em vários domínios.
BIOLOGIA
Um dos domínios é o da biologia. Usado nas investigações do homicídio do empresário, serviu para elaborar perfis de ADN a partir da extracção da recolha de material junto do corpo da vítima.
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