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Correio da Manhã

Portugal
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Mudar estatuto custa 300 milhões de euros

Os dois maiores hospitais públicos do País, o Santa Maria, em Lisboa, e o São João, no Porto, deixarão de o ser a breve prazo ao mudar de estatuto jurídico. Até ao final do ano, transformam-se em entidades públicas empresariais (EPE). Esta alteração tem um preço a ser pago pelo erário público: 300 milhões de euros.
6 de Setembro de 2005 às 00:00
Motivar os profissionais do Santa Maria é uma prioridade da nova gestão
Motivar os profissionais do Santa Maria é uma prioridade da nova gestão FOTO: Jorge Godinho
O anúncio desta alteração de regime jurídico foi ontem feito pelo ministro da tutela, Correia de Campos, num encontro com a Comunicação Social.
As principais vantagens desta mudança, explicadas ao CM por Adalberto Fernandes, presidente do conselho de administração do Hospital de Santa Maria prendem-se com uma maior flexibilidade da gestão hospitalar e o aumento do grau de satisfação dos profissionais que ali trabalham.
“A introdução de incentivos de carácter financeiro adequados ao desempenho de cada um é um dos modelos que pretendemos aplicar para elevar o seu grau de satisfação no novo modelo de gestão”, sublinha o responsável hospitalar.
Não só. Parte daqueles milhões de euros – que não entram na contabilidade do financiamento hospitalar anual, que é de 300 milhões – serão canalizados para outros custos: o alargamento dos horários do ambulatório, das consultas externas, do hospital de dia, do laboratório de patologia clínica, da imagiologia, da medicina física e reabilitação, numa maior articulação com os centros de saúde.
Com o novo modelo de gestão fica em aberto a possibilidade de serem estabelecidos contratos-programa com os vários serviços hospitalares.
“Estas mudanças vão permitir ainda desanuviar a afluência ao Serviço de Urgência”, admite Adalberto Fernandes.
O CM contactou a administração do Hospital São João para um esclarecimento, o que não foi possível até ao fecho desta edição.
CEM MÉDICOS ESTRANGEIROS
O ministro Correia de Campos anunciou outra novidade: o reforço de cem médicos de família nos centros de saúde onde mais fazem falta. São estrangeiros e receberam formação através da Fundação Calouste Gulbenkian, para o qual foi estabelecido um protocolo com o Ministério da Saúde.
“Esta centena de clínicos já está inserida no Serviço Nacional de Saúde e, portanto, está já a trabalhar nos centros de saúde. Os médicos têm várias nacionalidades e bastou passarem nos exames de aptidão para poderem exercer no nosso país”, explica Correia de Campos, que reconheceu que a carência de clínicos de Medicina Familiar é, hoje, de 500 médicos. O número de portugueses sem médico de família ascende a 750 mil indivíduos.
O secretário de Estado da Saúde, Francisco Ramos, anunciou, por seu lado, a comercialização de medicamentos fora das farmácias que será assegurada por um técnico ou farmacêutico para um máximo de cinco postos de venda localizados no máximo a 50 quilómetros de distância.
PREÇOS
Correia de Campos anunciou ainda que os medicamentos imunomodeladores (tratamento do cancro) e insulina (diabetes) mantêm a comparticipação do Estado, ao contrário de outros fármacos, que passam a ser suportados pelo doente em 95 por cento. A partir de Outubro entrarão em vigor os novos preços, com a renovação do ‘stock’ nas farmácias.
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