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Correio da Manhã

Portugal
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Mulher acusada de matar duas filhas bebés confessa em tribunal que as abraçou até deixarem de chorar

Jovem responde por dois crimes de homicídio qualificado e dois crimes de profanação de cadáver.
Paulo Jorge Duarte e Lusa 14 de Setembro de 2021 às 12:09
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Mulher que matou as filhas recém-nascidas em Espinho julgada hoje

A mulher acusada de asfixiar duas filhas bebés, em Espinho, em Janeiro de 2020, confessou, esta manhã de terça-feira, perante o coletivo de juízes do tribunal da Feira, que escondeu a gravidez da família e do companheiro mas afirmou que não as asfixiou. No entanto, afirmou que apenas abraçou as duas bebés até que deixaram de chorar.

"Matá-las nunca foi a minha intenção. Nunca julguei ser capaz de uma coisa dessas", disse a arguida, que está acusada de dois crimes de homicídio qualificado e outros dois de profanação de cadáver.

A mulher, que admitiu ter escondido a gravidez do companheiro, de quem tem dois filhos menores, e da restante família, disse que entrou em trabalho de parto na casa de banho da sua habitação, em Espinho.

Após ter dado à luz as duas crianças, a arguida disse que ficou sentada na sanita com as bebés ao colo, até deixarem de chorar.

"Fui à dispensa buscar sacos e mais toalhas. Nessa altura, elas não choravam. Penso que já estavam mortas", disse a arguida, adiantando que meteu os fetos dentro de um saco.

Após o sucedido, a mulher foi trabalhar, deixando o saco com os fetos na mala do carro que utilizava habitualmente e, quando regressou a casa, começou a sentir dores e febre e pediu ajuda a uma colega, que a levou ao Hospital de Gaia.

Mais tarde, o pai da arguida foi limpar o carro e acabou por descobrir o saco contendo os fetos, tendo chamado a PSP.

O ex-companheiro e os pais da arguida não quiseram prestar declarações.

Segundo a acusação, a arguida, que é antiga árbitra de futsal, quando deu à luz, durante a madrugada, não pediu ajuda nem prestou quaisquer cuidados aos bebés.

A mulher responde por dois crimes de homicídio qualificado e dois crimes de profanação de cadáver.

O Ministério Público (MP) acusa uma jovem de cerca de 25 anos do homicídio qualificado dos dois filhos gémeos que tinha acabado de dar à luz, em Espinho, em janeiro de 2020.

Segundo a nota publicada pela Procuradoria-Geral Distrital do Porto, a mulher, "encontrando-se grávida sem o desejar, decidiu ocultar o seu estado e manter a gravidez sem qualquer acompanhamento médico".  Entre as 35 e as 36 semanas de gestação, entrou em trabalho de parto na casa em que vivia. Deu à luz duas crianças, "com vida, às quais não prestou, ou solicitou que fossem prestados, quaisquer cuidados imediatamente após o nascimento". Pelo contrário, embrulhou os dois gémeos e impediu-os de respirar, acabando por causar as suas mortes.

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