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Correio da Manhã

Portugal
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MULHER LIDERAVA FRAUDE COM CARTAS INGLESAS

O Tribunal de Almada começou a julgar ontem cinco indivíduos, dois dos quais mulheres, envolvidos num esquema de licenças falsas de condução. Um caso que tomou relevo quando um dos possuidores dessas ‘cartas’ se envolveu num acidente que provocou a morte a um jovem de 18 anos, a 6 de Dezembro de 1999.
13 de Maio de 2003 às 00:00
Uma mulher, Josefina Almeida, 50 anos, auxiliar de acção médica, durante cerca de um ano, ofereceu os seus préstimos a várias pessoas, no sentido de obter licenças de condução em Inglaterra, onde vivera, de 1963 a 1985. Na sua ‘conversa’ foram, pelo menos, três homens e uma mulher, que a GNR detectou a conduzir ilegalmente, em Fevereiro e Dezembro de 1999 e que agora são arguidos neste processo.
Operando a partir de um café na localidade de Pinheirinho, Charneca de Caparica, Almada, segundo contaram os réus em tribunal, Josefina chegou a meter-se nas conversas para oferecer os seus préstimos, alegando mesmo que não havia problema em se conduzir com essas licenças. E para reforçar os seus argumentos afirmava que ela própria conduzia com uma. Por cada licença pedia cerca de 150 contos (750 euros), geralmente, metade paga na entrega dos dados necessários dos ‘clientes’ e o restante aquando do recebimento do documento.
Segundo o nosso jornal apurou em Janeiro de 2000, quando denunciou o caso, na sequência do acidente que vitimou António José Oliveira (ver caixa), Josefina, com a cumplicidade de uma pessoa que vivia em Portland, Dorset, Inglaterra, obtinha as licenças de aprendizagem em nome dos ‘clientes’. Um processo que naquele país se realiza através dos Correios e que não custava mais do que 23,5 libras (35 euros).
Josefina e outra arguida não compareceram ontem em tribunal. A primeira apresentou um atestado médico e a segunda arrisca-se a ser declarada como contumaz. O julgamento continua no próximo dia 26 de Maio.
PAIS AINDA À ESPERA DE JUSTIÇA
António José Oliveira (na foto) regressava a casa depois de um treino no clube ‘Costa de Caparica’, na noite de 6 de Dezembro de 1999, quando na zona de Terras da Costa, um automóvel, conduzido por Filipe Macuá, em contramão, colidiu com o ciclomotor do jovem de 18 anos causando-lhe a morte.
O condutor apresentou às autoridades uma licença inglesa de condução que não tem validade em Portugal. Filipe foi condenado a um ano de prisão, mas, com oito meses cumpridos, está em liberdade condicional.
António Oliveira, pai da vítima e testemunha principal do processo em julgamento ainda espera por justiça.
“A justiça ainda não está feita, há muita coisa ainda escondida”, afirmou ao CM.
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