Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
1

Mulher que tentou sequestrar bebé no Hospital de São João no Porto teve acesso a processos clínicos

DIAP acusa a mulher, que está em prisão domiciliária com vigilância eletrónica, da prática de um crime de sequestro agravado, na forma tentada.
Lusa 29 de Julho de 2019 às 11:56
Laura Silva foi detida no Hospital de São João depois de tentar sequestrar bebé
Laura Silva foi detida no Hospital de São João depois de tentar sequestrar bebé
Laura Silva foi detida no Hospital de São João depois de tentar sequestrar bebé
Laura Silva foi detida no Hospital de São João depois de tentar sequestrar bebé
Laura Silva foi detida no Hospital de São João depois de tentar sequestrar bebé
Laura Silva foi detida no Hospital de São João depois de tentar sequestrar bebé
A mulher que em fevereiro deste ano tentou sequestrar uma recém-nascida no Hospital de São João, no Porto, consultou processos clínicos no balcão do secretariado de Obstetrícia, chegando mesmo a levar um deles, indica a acusação do processo.

"Foi ao balcão do secretariado -- que estava fechado por ser sábado -- e aí consultou alguns processos. Após consultar alguns processos clínicos que ali se encontravam, pegou num deles de modo a dar maior credibilidade à identidade de médica que pretendia assumir", refere a acusação do caso, deduzida pela 10.ª secção do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto e consultada esta segunda-feira pela agência Lusa.

A investigação refere que a mulher entrou "de forma não apurada e não autorizada" na Obstetrícia, cerca das 19h00 de 02 de fevereiro, mas não especifica se o fez pela zona para visitas ou para profissionais, sendo certo que nos dois casos é preciso exibir cartões comprovando a condição da pessoa.

"Para poder circular no hospital sem levantar suspeitas, decidiu identificar-se como médica, vestindo para o efeito uma bata descartável azul e colocando um estetoscópio ao pescoço", diz apenas a acusação.

Logo após a divulgação do caso, o Hospital de São João anunciou a abertura de um inquérito interno para "esclarecimento completo" da tentativa de sequestro da bebé, mas uma fonte oficial da unidade disse hoje à agência Lusa que as conclusões só serão divulgadas após o processo judicial.

O DIAP acusa a mulher, que se encontra atualmente em prisão domiciliária com vigilância eletrónica, da prática de um crime de sequestro agravado, na forma tentada.

A processo sustenta que a mulher, de 48 anos, simulou a gravidez e tentou sequestrar a recém-nascida "com o propósito de retomar a relação amorosa que anteriormente mantinha" com um homem.

Na altura dos factos, a versão publicitada era a de que a mulher pretendia "substituir" uma bebé que perdera, três meses antes, na sequência de uma gravidez de risco.

Ainda segundo o processo, a arguida e o seu namorado tinham interrompido uma relação que durara quase um ano e, em outubro de 2018, "retomaram pontualmente os contactos pessoais e de cariz sexual".

Na sequência de uma discussão, a mulher mentiu-lhe, com o alegado propósito de estabilizar a relação, anunciando uma falsa gravidez e o propósito de a levar até ao fim.

Fez pelo menos duas montagens de imagens ecográficas de um feto, "onde introduziu um cabeçalho falso com o seu nome aposto", espalhou pela casa roupa de bebé e, já em 24 de janeiro de 2019, a arguida contacta telefonicamente o homem comunicando-lhe que a filha de ambos tinha nascido prematuramente e que se iria chamar Vitória.

"A arguida sabia que não tinha estado grávida, nem tinha tido nenhum bebé, mas, querendo manter a relação (...) e a história que tinha forjado, decidiu então 'arranjar' um bebé", o que tentou naquele final de tarde de 02 de fevereiro de 2019, um sábado, na Obstetrícia do São João.

Além da bata e do estetoscópio, para se fazer passar por médica, levava consigo um casaco e uma mochila, com o alegado propósito de nela trazer a bebé.

Entrou e saiu do berçário e depois da sala de internamento.

Ao ser interpelada por uma auxiliar de ação médica, responde que era médica e estava à espera do processo de uma parturiente que identificou.

Pediu para pegar na sua bebé ao colo, mas o seu comportamento suscitou desconfiança ao pai da recém-nascida que, entretanto, entrou no quarto.

Temendo que o pai da criança se apercebesse dos propósitos, a arguida entregou a bebé a outro familiar que também ali se encontrava, pegou no casaco e na mochila e saiu do quarto, relata a acusação.

Acabou intercetada por funcionários do hospital, entretanto alertados pelo pai da criança, que manteve a desconfiança quanto ao comportamento da mulher.
Porto Hospital de São João Obstetrícia do São João DIAP sequestero
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)