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Correio da Manhã

Portugal

Mulher acusada pela morte do filho negou tê-lo empurrado

Mãe pretendia morrer com o filho.
28 de Outubro de 2015 às 13:58
Julgamento decorreu no Tribunal São João Novo, no Porto
Julgamento decorreu no Tribunal São João Novo, no Porto FOTO: Rafaela Cadilhe
A acusada pela morte do filho de seis anos, após queda ao Douro, em 2009, confessou esta quarta-feira em tribunal ter a intenção de se matar com ele, mas "perdeu a coragem", tendo o menor caído acidentalmente e não sido empurrado.

"O menino andava sempre doente com amigdalites, eu não aguentava mais vê-lo sofrer. Então, decidi atirar-me ao rio Douro com ele, mas ao chegar lá perdi a coragem, tive medo, e, de repente, ele largou a minha mão e caiu à água, atirei-me para o salvar, mas não consegui", disse esta quarta-feira a arguida, de 40 anos, perante o coletivo de juízes do Tribunal São João Novo, no Porto.

O menino foi encontrado morto no dia 29 de outubro de 2009, no esteiro de Avintes, em Vila Nova de Gaia, Porto, tendo a mãe sido resgatada com vida perto da Ponte Luiz I, por remadores do Clube Fluvial Portuense, a seis quilómetros do local.

A arguida já havia sido condenada a cinco anos de prisão, suspensa na sua execução, mas o Ministério Público (MP) recorreu da decisão, tendo o Tribunal da Relação do Porto mandado repetir o julgamento.

Mão estava perturbada
A mãe do menor realçou que andava "muito perturbada e deprimida" por ver o filho constantemente doente, estando muitas vezes internado no hospital, e, para acabar com esse sofrimento, decidiu por termo à sua vida e à dele.

"Ele estava sempre a chorar, com dores, em pânico, eu não aguentava mais, depois achava que o meu marido não se interessava por nós, só pensava no trabalho, não tinha apoio em casa", salientou.

Contudo, ao chegar junto ao rio Douro, no dia 28 de outubro, "teve medo" de se atirar, perdendo a coragem, e, numa fração de segundos, o menor largou-lhe a mão e caiu à água, ela atirou-se, mas deixou de o ver, não o conseguindo salvar.

Homicida deixou bilhete para que a impedissem 
Na água, a alegada homicida explicou ter gritado "muito", pedido ajuda, mas sendo de noite ninguém a ouviu.

Nesse dia, a arguida realçou ter deixado uns bilhetes em casa a manifestar a sua intenção com a "esperança" que a fossem salvar e impedir de cometer o ato, mas ninguém apareceu no local.

"Estive toda a noite, até ser encontrada de manhã, na água, deitada numas rochas", explicou.

E acrescentou: "o meu filho era o meu mais que tudo, só queria estar com ele 24 horas por dia"
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