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Correio da Manhã

Portugal
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Mulheres ganham farda de bombeiros

Doze mulheres lutam arduamente para conquistar o seu espaço nos Bombeiros Voluntários de S. João da Madeira, uma corporação que durante quase oitenta anos foi cem por cento máscula. A formação é dura e, talvez por isso, sentem um maior orgulho por fazerem parte do primeiro grupo de mulheres da corporação.
31 de Março de 2008 às 00:30
Com aparelhos respiratórios às costas e máscaras nos rostos, já enfrentaram situações quase reais
Com aparelhos respiratórios às costas e máscaras nos rostos, já enfrentaram situações quase reais FOTO: Francisco Manuel

A ideia de acabar com um clube que tinha como lema "mulher não entra" já vinha germinando há algum tempo, mas "só agora estão reunidas as condições para a sua integração", como sublinha o segundo comandante, Normando Oliveira.

Com idades entre 17 e os 33 anos e profissões que vão desde operárias fabris a enfermeiras, psicólogas ou fisioterapeutas, as 12 mulheres entraram já em 2006, como operadoras de central, após uma formação de vários meses. A ânsia das voluntárias em querer fazer mais abriu-lhes as portas para o curso de aspirantes que se iniciou em Outubro do ano passado e que está quase concluído.

Já lá vão mais de 200 horas de dura formação em todas as áreas: desde incêndios urbanos a florestais, químicos, salvamentos e socorros. Têm de responder da mesma forma do que os oito homens que integram este curso para 20 aspirantes.

"A motivação e aplicação delas fazem-nos acreditar que poderemos vir a ter um dos melhores grupos de mulheres bombeiras do País", afirma o segundo comandante. No próximo dia 28 de Abril, nos 80 anos da corporação, as doze mulheres vão receber as insígnias de bombeiro.

"É GRANDE RESPONSABILIDADE"

Com o rosto marcado pelo cansaço, Andreia Gregório, uma psicóloga de 27 anos, garante que "quem anda por gosto não cansa". Adora o seu trabalho de psicóloga, mas faltava-lhe ainda algo que "os bombeiros complementam". "É um orgulho, mas também uma grande responsabilidade, porque, sempre que tivermos de intervir, as pessoas vão esperar muito de quem envergar esta farda." Já Ana Cláudia Pinto, de 25 anos, é fisioterapeuta e contacta diariamente com os bombeiros. Sentia uma enorme curiosidade: "Aquilo que inicialmente era uma brincadeira rapidamente se tornou numa responsabilidade. Isto é. Existe um grande espírito de solidariedade, tal qual uma família".

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