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Correio da Manhã

Portugal
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Incêndios no centro do País já fizeram 30 feridos

Dezasseis meios aéreos combatem incêndios que lavram nos distritos de Castelo Branco e Santarém.
Paula Gonçalves, Isabel Jordão, Catarina Figueiredo, Daniela Vilar Santos e Lusa 21 de Julho de 2019 às 01:30
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Dezasseis meios aéreos combatem incêndios que lavram nos distritos de Castelo Branco e Santarém.
Quatro focos de incêndio que deflagraram em 20 minutos numa linha praticamente reta estão a deixar bombeiros e aldeãos sem mãos a medir na Sertã, Vila de Rei e Oleiros, no distrito de Castelo Branco, e em Mação (Santarém). A aldeia de Cardigos, no concelho de Mação, foi evacuada, assim como a praia fluvial, devido às chamas "impossíveis de parar" e "desmultiplicadas em várias frentes". Uma das aldeias do concelho consumida pelas chamas está sem luz. 


De acordo com o novo balanço da doutora Paula Neto do INEM aumentou para 30 o número de feridos nos incêndios no centro do País. Um morador encontra-se em estado grave, na unidade de queimados do Hospital de São José, em Lisboa. Os restantes são todos feridos ligeiros, sobretudo devido a "inalação de fumos e entorses", referiu.

Ao início da manhã deste domingo cerca de 1600 operacionais combatiam o fogo que lavra nos vários concelhos de Castelo Branco e em Mação, Santarém. Por volta das 10h00, 16 meios aéreos foram acionados para o local.

Apesar da evolução favorável no combate (às 08h00 60% do perímetro estava dominado), o comandante do Agrupamento Centro Sul salientou que vai ser "uma tarde de intenso trabalho" e, com o agravar dos indicadores meteorológicos, os meios no terreno vão ser postos "à prova".



























Luís Belo Costa deu ainda conta de que a prioridade dos meios de socorro é a de garantir que as habitações sejam protegidas, principalmente no concelho de Vila de Rei, onde o fogo já percorreu 25 quilómetros.


Em resposta aos jornalistas, o comandante deixou ainda claro que não se registaram falhas na comunicação SIRESP. Não há registo de casas totalmente ardidas, apesar de terem sido várias as habitações e povoações evacuadas durante a noite. As chamas estão ainda a obrigar ao corte da Estrada Nacional 348, uma via que faz a ligação entre os concelhos de Mação e Vila de Rei.

A meio da tarde deste domingo, as chamas ainda mostram resistências, com o registo de vários reacendimentos e aproximação de aldeias. Em Casas da Ribeira, Mação, os populares juntaram-se aos bombeiros numa tentativa de tentar apagar as chamas que se aproximavam das casas.

"Foram horas muito complicadas"
Ao início da noite de sábado havia pânico em Várzeas e Vale da Urra (Vila de Rei). As chamas galgaram e já teriam atingido anexos e populares travaram "o fogo já nas hortas". Um morador ficou queimado. A dona de um aviário foi procurada pela GNR. Estaria refugiada numa associação local.

O incêndio que mobilizou mais meios começou às 14h50, em Fundada, Vila de Rei. Foram mais de 500 bombeiros, apoiados por mais de 150 viaturas e quatro meios aéreos. À mesma hora, em Rolã, Sertã, outro incêndio mobilizou mais de 270 homens e nove meios aéreos. Foi aqui que ficaram feridos os bombeiros. As casas estiveram ameaçadas pelas chamas e o pânico tomou conta dos habitantes. Os populares, com mangueiras e máquinas, ajudaram como puderam. Até a água de uma piscina serviu para ajudar a controlar a fúria das chamas.

"Foram horas muito complicadas. O fogo chegou por vários lados e rodeou a aldeia. A mim parece-me que foi fogo posto", disse ao CM um habitante da aldeia de Castanheiro Grande, Sertã. O dia foi de muito calor com rajadas de vento a soprarem a quase 50 quilómetros por hora.

Às 15h01 e 15h11 surgiam novos alertas para as aldeias da Catadinha (Sertã) e da Azinheira (Oleiros), o que obrigou a distribuir os meios disponíveis por vários locais diferentes e a pedir reforços a outros distritos.

PORMENORES
Fogos a interagir entre si
"Estamos a falar de vários incêndios dentro da mesma região geográfica que estão a interagir entre si", explicou Alexandre Penha, da Proteção Civil, não dando garantias de quando as chamas seriam dominadas.

"Muito trabalho"
"Vai ser uma noite de muito trabalho", lamentava ao CM Vasco Estrela, presidente da Câmara de Mação, dando conta de um bombeiro do concelho ferido. As Forças Armadas mobilizaram quatro máquinas de rasto para Vila de Rei, para abrir caminhos de acesso aos incêndios.
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