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Correio da Manhã

Portugal
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Muro de betão isola ciganos

Joaquim Marques, de 94 anos, o mais velho dos cerca de 200 habitantes do bairro das Pedreiras, em Beja, não tem dúvidas em afirmar que a comunidade cigana vive no "cemitério dos vivos". O realojamento das famílias daquela etnia está envolto em polémica e já motivou uma queixa no Conselho da Europa devido ao muro de betão, com cerca de um quilómetro, construído naquela zona e que as deixou longe das estruturas de apoio.
13 de Junho de 2010 às 00:30
No bairro vivem cerca de 200 pessoas. O patriarca Joaquim Marques diz que é o “cemitério dos vivos”
No bairro vivem cerca de 200 pessoas. O patriarca Joaquim Marques diz que é o “cemitério dos vivos” FOTO: Pedro Galego

"É uma vergonha. Aqui fora correm esgotos e estamos isolados da cidade", disse ao CM o patriarca da comunidade. Entre os mais jovens, a barreira de cimento é alvo de tentativas de derrube. Todas as famílias se dizem discriminadas.

A mudança para as Pedreiras aconteceu em 2006 e o muro foi erguido a meias entre a autarquia (na altura CDU) e a empresa de rações A. Cano, para que o negócio não fosse prejudicado, mas o efeito foi perverso.

Hoje, também a empresa se queixa da localização e quer mudar, ao passo que o actual executivo camarário (PS), já assumiu publicamente que pretende ver a situação resolvida, mas exige uma co-responsabilização por parte das famílias que, diz, não respeitam os pagamentos das rendas e a manutenção da salubridade das casas.

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