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Correio da Manhã

Portugal
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MURO DE PROTECÇÃO FOI PARAR À LAGOA

O paredão com 4500 sacos de areia, feito na margem Sul da Lago de Óbidos, começou a ruir e muitos sacos foram parar à água, para desespero de moradores e ambientalistas.
29 de Dezembro de 2003 às 00:00
O muro ruiu e muitos sacos desabaram para a lagoa
O muro ruiu e muitos sacos desabaram para a lagoa FOTO: Francisco Gomes
Os sacos, com uma tonelada, foram colocados ao longo das dunas do Bom Sucesso para proteger uma dezena de vivendas da erosão costeira, mas os moradores sempre contestaram a medida, por considerarem que, além de "ineficaz, o plástico pode ser prejudicial para a lagoa".
Para os dirigentes da Comissão de Moradores do Bom Sucesso, no concelho de Óbidos, a opção do Instituto da Água (INAG) não foi a melhor, dado que "no espaço de um ano, esta é a segunda vez em que as intempéries arrastam para a Lagoa e para o mar, parte dos 4500 sacos de plástico".
Segundo estes responsáveis, "os sacos vão-se rompendo e desfazendo, a água vai tirando a areia neles metida, que é levada pelas correntes, e tudo volta ao início, sem solução à vista".
O receio dos populares é que as embalagens com areia colocadas no Bom Sucesso possam vir a assorear ainda mais a Lagoa de Óbidos, o que também motiva a indignação dos pescadores. Esta preocupação deve-se ao facto de se poder verificar o esvaziamento dos sacos, indo o seu conteúdo parar ao fundo da Lagoa.
Para os moradores, esta solução "é perfeita ilusão", uma vez que já ali foram colocados cerca de quinze mil sacos desde há cinco anos, "sem qualquer resultado positivo em matéria de protecção às casas".
De acordo com dados revelados por um elemento da comissão, a primeira vez que o INAG colocou sacos de plástico cheios de areia no Bom Sucesso foi em 1998. Nesse ano, foi construído um muro com 3000 sacos. Dois anos depois, foram colocados mais 2500 sacos. Em 2001, a protecção foi reforçada com mais 2120 embalagens e, o ano passado, com 4500.
"Isto é a demonstração da ineficácia de tal sistema. É preciso meditar na melhor maneira de gastar o dinheiro dos contribuintes e resolver a situação das casas e das margens", afirma José Encarnação, porta-voz da comissão.
A comissão de moradores disponibilizou-se para oferecer a pedra necessária para a construção de um paredão e protecção de toda a parte Sul da Lagoa de Óbidos. Todavia, esta proposta nunca mereceu acolhimento por parte do INAG.
No entender de José Encarnação, devia ser estudada uma solução científica para o problema, pois "além de não ser ecológica", a opção definida pelo INAG "está a gastar o dinheiro dos contribuintes para nada".
"A comissão preconiza a construção de um muro subaquático, como o que foi feito na outra margem (Foz do Arelho), para deslocar a aberta para o centro", defende o porta-voz dos moradores.
Segundo José Encarnação, o muro construído pelo INAG começou a ruir no sábado e ontem de manhã "já dezenas de sacos tinham desabado para a lagoa".
Como as marés vivas só agora tiveram início e muitos dos sacos já foram parar à Lagoa de Óbidos, o responsável considera que a solução encontrada pelo INAG não pode ser definitiva.
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