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Correio da Manhã

Portugal
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Milhares no adeus ao militar Carlos Caetano

GNR foi assassinado a tiro em Aguiar da Beira.
Luís Oliveira e Alexandre Salgueiro 14 de Outubro de 2016 às 01:45
Carlos Caetano, de 29 anos, foi morto em serviço.
O momento era de dor e muita emoção, mas o bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança disparou em várias direções, ontem, no funeral do jovem militar da GNR que foi assassinado a tiro em Aguiar da Beira. Na mensagem que enviou, D. Manuel Linda referiu que se vive "numa sociedade onde se mata por dá cá esta palha" e apelou para que se dê à GNR e às outras forças de segurança "os meios humanos e técnicos, os equipamentos e a formação sem os quais não podem afrontar o mal e os inimigos da sociedade aberta".

Ancorando-se nas circunstâncias dramáticas em que Carlos Caetano, de 29 anos, foi assassinado, D. Manuel Linda adiantou: "Hoje, as forças de segurança são ignoradas pela maioria, menosprezadas por muitos e até odiadas por alguns". Por isso, concluiu, "qualquer dia sujeitamo-nos a que poucos ou nenhuns queiram entrar nesta força de segurança, porque a dureza da vida é enorme, a exposição social incomoda e a compensação, o salário, é muito pequena".

A ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, ouviu e no final não quis reagir. As palavras do prelado foram lidas na homilia da missa de corpo presente, numa cerimónia que contou com a presença de mais de um milhar de pessoas. Entre elas centenas de militares da GNR de todo o País, liderados pelo comandante- -geral, Manuel Couto, e pelo comandante da GNR da Guarda, tenente-coronel Luís Cunha Rasteiro. Não faltaram também vários representantes das outras forças de segurança e da Proteção Civil. Carlos Caetano foi alvo de várias homenagens de amigos e camaradas de profissão. Pais e irmãos acompanharam sempre a urna, que desceu à terra debaixo de três salvas de tiros para o ar disparados por oito militares. Por coincidência, em direção ao local onde foi encontrado baleado.

"Meu rico filho, não merecias este fim" 

"Meu rico filho, não merecias este fim", gritava ontem Armindo Pinto, em desespero, abraçado ao caixão de Luís Pinto, de 29 anos, assassinado por Pedro Dias. O corpo foi recebido na aldeia de Palhais, Trancoso, num ambiente de grande dor e consternação. O funeral está marcado para hoje, às 17h00, na igreja matriz de Palhais.

Durante o velório, dezenas de amigos tentaram confortar a família. "A vida tem de continuar, mas vai ser muito mais difícil. É uma dor que nos atravessa e que ninguém imagina", desabafava Vasco Moreira, tio de Luís Pinto, que morreu no local onde foi atacado, por Pedro Dias, a tiro, quando ia com a mulher para uma consulta em Coimbra. A população está de luto pela morte do jovem, mas ainda tem esperança na recuperação da mulher, Liliane Pinto, que continua no Hospital de Viseu a lutar pela vida.
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