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Correio da Manhã

Portugal
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Namorada defende violador cadastrado

Rogério Pebre, de 43 anos, está acusado de raptar, violar e ameaçar de morte duas mulheres que conheceu e seduziu nos chats da internet. Mas a sua companheira dos últimos três meses, Reinalda Almeida, acredita na sua inocência e jura a pés juntos que o namorado, anteontem detido pela Unidade Nacional de Combate ao Terrorismo da Polícia Judiciária, não é um violador. "Ele nunca violou ninguém. Assumiu que teve relações com aquelas duas mulheres, mas foi tudo consentido. Não forçou ninguém a nada", afirmou ao CM a companheira de Rogério.
28 de Abril de 2010 às 00:30
Rogério Pebre conhecia mulheres através dos chats da internet e raptava-as
Rogério Pebre conhecia mulheres através dos chats da internet e raptava-as FOTO: Jupiterimages

Tal como as mulheres vítimas de violação, Reinalda conheceu o namorado no final do ano passado através da internet, mas só em Fevereiro é que o casal iniciou uma relação mais efectiva. Ao CM, a mulher afirmou que Rogério lhe relatou os encontros amorosos que teve com as duas raparigas. "Um dos encontros foi em casa de uma delas. Foi a mulher que o convidou a ir até lá. No caso da rapariga mais nova, o Rogério levou-a para o Alentejo. Disseram--lhe que não tinham homens há muito tempo, mas fizeram tudo de livre e espontânea vontade", explicou Reinalda.

A namorada adianta ainda que o homem – vigilante – chegou a visitar a casa dos pais de uma das raparigas. À companheira, Rogério afirmou também que as raparigas tinham dificuldades financeiras e que apenas as tentou ajudar. "Elas viviam num meio pobre e ele chegou a dar--lhes dinheiro", disse a namorada.

Rogério foi detido pela Polícia Judiciária na casa de Reinalda, em Alcoentre, Azambuja, onde residia actualmente. Durante a detenção as autoridades apreenderam diversas provas contra o violador. Um dos objectos levados foi o portátil do vigilante, que continha vários ficheiros de conversação que o homem mantivera. O computador será agora alvo de análise aprofundada para se tentar perceber se no aparelho existem pistas que permitam levar à identificação de outras vítimas do predador.

Ontem, a pedido de Rogério, alguém próximo removeu o seu perfil na rede social Facebook e tornou a sua página no Hi5 apenas acessível a amigos.

"ARMAS NÃO FUNCIONAVAM"

Durante as buscas domiciliárias a Polícia Judiciária apreendeu diversas armas e munições que pertencem a Rogério. A companheira diz que grande parte delas não funcionava. "As armas estavam estragadas, não funcionavam. Ele não é um homem violento. Era muito carinhoso comigo", disse ao CM Reinalda Almeida.

O vigilante tinha, no entanto, sido já detido em 2006 por tráfico de armas, processo no qual foi constituído arguido. Anteontem, as autoridades encontraram em casa de Rogério várias armas de fogo, uma faca de arremesso, duas matracas, um bastão flexível, uma catana artesanal, uma fisga de elevada potência para o arremesso de esferas de aço, centenas de munições, pólvora e diversas ferramentas.

Às autoridades, as vítimas relataram que o homem chegou a obrigá-las a manter relações sexuais enquanto lhes apontava armas à cabeça.

PORMENORES

CASAS

Para além de dormir várias vezes em casa da namorada, Rogério possuía também uma casa na Azambuja e outra situada em Mertóla.

FILHA DE NOVE ANOS

O vigilante, que trabalhou durante cerca de três anos na Prosegur, é pai de uma menina de nove anos.

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