Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
5

Namorado da filha de triplo homicida: "Senti-me impotente"

O namorado da filha do triplo homicida Francisco Esperança, que cometeu suicídio na madrugada desta sexta-feira, enforcando-se numa cela do Estabelecimento Prisional de Lisboa, relatou à RTP as tentativas para alertar as autoridades ao não conseguir contactar Cátia Zambujo Esperança, encontrada morta juntamente com a mãe e com a filha na segunda-feira. "Senti-me completamente impotente", disse Pedro Rodrigues, em entrevista a Sandra Felgueiras, relatando a forma como confrontou o sexagenário num hotel de Lisboa e o voltou a encontrar em Beja.
17 de Fevereiro de 2012 às 21:21
Cátia Zambujo Esperança evitava falar no pai da sua única filha
Cátia Zambujo Esperança evitava falar no pai da sua única filha FOTO: D.R.

Depois de ter falado ao telefone com a namorada pela última vez às 22h00 de 7 de Fevereiro, Pedro Rodrigues não mais conseguiu contactá-la. Auxiliado por uma prima do triplo homicida, procurou-o num hotel de Lisboa, onde este ficava habitualmente quando vinha fazer tratamentos ao Instituto Português de Oncologia.

Encontrou Francisco Esperança no hotel e este disse-lhe que ali estava a conselho do advogado, pois teria de separar-se da mulher para evitar as penhoras em curso devido às avultadas dívidas da família. Quanto à filha e à neta, foi lacónico: "Disse que estavam bem. Estavam em casa de familiares."

Insatisfeito com esta versão, o namorado de Cátia dirigiu-se a uma esquadra da PSP, onde foi tratado como "um namorado abandonado". Mesmo assim, a PSP de Beja passou pela casa da família Esperança, constatando que tudo estava trancado.

Agentes da PSP dirigiram-se ao hotel, mas não desconfiaram do sexagenário, aconselhando Pedro Rodrigues a não se meter com uma família cheia de problemas financeiros. "Você esqueça isso. A namorada fugiu, o que é que você quer?", ter-lhe-ão dito.

O desfecho deste caso ocorreu, segundo Pedro Rodrigues disse na entrevista à RTP, esta segunda-feira, quando a prima do triplo homicida lhe telefonou a dizer que Francisco Esperança tinha sido visto em Beja. Depois de uma viagem até à cidade alentejana, Pedro Rodrigues voltou a ligar para a namorada e, estando à porta da sua casa, ouviu o telemóvel a tocar lá dentro.


Horas mais tarde, depois de o triplo homicida se entregar, a PSP descobriu os cadáveres de Benvinda, Cátia e Maria, mortas a golpes de catana perto de uma semana antes. "Nem um animal faria aquilo. É um monstro. A cara dele é a de um monstro", disse Pedro Rodrigues à jornalista Sandra Felgueiras.

TESTES DE PATERNIDADE NEGATIVOS

Sobre os problemas no seio da família do ex-bancário, que levam as autoridades a investigar a hipótese de Maria, de quatro anos, ser filha do próprio avô, Pedro Rodrigues disse que "é difícil imaginar uma relação incestuosa", mas admitiu que "havia histórias mal contadas" e que insistiu com a namorada para descobrir toda a verdade.

Cátia ter-lhe-á diito que o pai da filha era um ex-namorado residente em Lisboa. No entanto, quando Pedro Rodrigues confrontou esse homem, este disse-lhe que "de certeza não era o pai", visto que já teria realizado dois testes de paternidade, com resultados negativos.

Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)