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Correio da Manhã

Portugal
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NÃO É PREGUIÇA, É DOENÇA

As dificuldades de aprendizagem (DA) - a mais frequente das quais é a dislexia, perturbação na leitura e compreensão de textos - afecta entre cinco e sete por cento da população escolar portuguesa.
10 de Outubro de 2004 às 00:00
Muitas vezes é o professor que identifica o problema
Muitas vezes é o professor que identifica o problema FOTO: Marta Vitorino
Em causa estão cerca de 125 mil crianças e adolescentes, muitas vezes tratados, simplesmente, como preguiçosos. Não é porém esse o caso. Dois reputados especialistas internacionais, convidados pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Infantil (CADIn), explicaram ontem que tais dificuldades têm uma base neurológica, ou seja, o cérebro daquelas crianças funciona de modo diferente.
Autora de vários livros sobre o assunto, a norte-americana Janet Lerner afirmou que as DA representam metade dos problemas que limitam as capacidades infantis. As perturbações emocionais, o atraso mental e as afecções da linguagem são os outros.
As DA abrangem, igualmente, a disortografia, dificuldade na escrita correcta das palavras, e a discalculia, dificuldade em usar os números e efectuar cálculos matemáticos, entre outras afecções.
Questionada sobre se foi a prevalência ou a visibilidade das DA que aumentou, a especialista não soube responder com exactidão, notando, porém, que o número de crianças com DA aumentou enquanto os casos de atraso mental foram diminuindo. Deu assim a entender que os jovens a quem agora reconhecemos dificuldades de aprendizagem poderiam antes ter sido rotulados de outro modo.
José António Portellano, professor de Neuropsicologia da Faculdade de Psicologia de Madrid, notou que os disléxicos são "cerebralmente atípicos", embora a reabilitação seja possível, porque "podemos mudar o cérebro, a aprendizagem transforma-o".
Nuno Lobo Antunes, responsável pelas áreas de Neurologia e Neurodesenvolvimento do CADIn, considerou que "o reconhecimento de crianças disléxicas na escola é bastante subestimado em Portugal". "São consideradas preguiçosas", explicou ao CM.
Pais e professores devem estar atentos. Dificuldades na seriação do tempo - dizer os dias da semana ou os meses do ano - ou de coordenação motora (apertar os botões, por exemplo) podem prenunciar uma afecção deste tipo.
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