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Correio da Manhã

Portugal
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“Não há uma política para as pessoas idosas”

José Maia, Padre e presidente da Fundação Filos, diz que o Estado não cumpre as suas obrigações para com a 3.ª idade.
19 de Março de 2011 às 00:30
“Não há uma política para as pessoas idosas”
“Não há uma política para as pessoas idosas” FOTO: DR

Correio da Manhã – O aparecimento do corpo de uma idosa que vivia sozinha e tinha morrido há nove anos veio dar mais razão de ser ao seu projecto das comunidades de vizinhança?

Padre José Maia – Esse caso foi revelador de uma realidade que muita gente julgava não existir, que é a solidão extrema em que muita gente, sobretudo idosa, vive. Nós sempre estivemos convictos da valia deste projecto e das políticas que promovam a vizinhança activa.

– O Estado tem falhado no apoio à terceira idade?

– Redondamente. O artigo 72 da Constituição diz, entre outras coisas, que as pessoas idosas têm direito à segurança económica e a condições de habitação e convívio familiar e comunitário que evitem o isolamento. Está a ser cumprido?

– É o que lhe pergunto.

– Claro que não. Quem está hoje, de facto, à rasca são os idosos. Mais do que os que não têm emprego, estão à rasca os que não têm dinheiro para os remédios.

– Está a assumir-se como o rosto da geração sénior à rasca?

– Eu apenas pretendo fazer alguma coisa de útil, na minha intervenção cívica, em benefício dos que têm maiores dificuldades. E, como em Portugal não há uma política para as pessoas idosas, são elas quem mais precisa de ajuda.

– Daí este projecto das comunidades de vizinhança?

– Exactamente. Nós pretendemos que, no domínio do voluntariado, haja, em cada rua, preocupação com as pessoas que vivem sós. Aqui na Casa do Vizinho temos as sentinelas de rua que vão, porta a porta, saber se as pessoas precisam de alguma coisa, promovendo depois as ajudas possíveis.

– Quem pode ser voluntário?

– Todos os que pretendam. O Estado tem, por exemplo, os beneficiários do RSI ou do Fundo de Desemprego, a quem paga alguma coisa, e que devem, de alguma forma, contribuir para o bem-estar dos outros.

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