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Correio da Manhã

Portugal
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Não morri por sorte

Um ourives foi ontem de manhã baleado e roubado por três homens, armados e encapuzados, quando se dirigia para a feira semanal de Trancoso. Natalino Santos, de 71 anos, foi interceptado pelos assaltantes, às 07h00, na EN102, junto a uns semáforos de Celorico-Gare.
8 de Dezembro de 2007 às 00:00
“A sorte deles foi que eu estava sozinho e não tive ajuda de ninguém, porque senão eles não se tinham ficado a rir”, disse a vítima ao CM poucos minutos depois de ter sido assistido à mão direita, “que ficou cravada de chumbo”. “Só não me mataram por sorte”, reconhece o ourives, assaltado pela segunda vez quando se dirigia para uma feira.
Ontem, segundo conta o ourives, os assaltantes perseguiram-no durante alguns quilómetros na estrada que liga Celorico da Beira a Trancoso. Em Celorico-Gare, o ‘homem do ouro’ – como é conhecido na região – teve de parar nos semáforos. Daí ao assalto foram breves segundos. “Puseram-me o carro à frente, dois saíram para a rua, apontaram-me as armas – uma pistola e uma caçadeira –, mas eu arranquei com o meu carro. Depois começaram a disparar fogo mas baixei-me e só me acertaram na mão”, conta Natalino Santos, que a certa altura teve de parar a sua carrinha – uma velha Peugeut 506 – e enfrentar os ladrões “decidido e sem medo”.
Já ferido na mão e enfrentando vários tiros, saiu da viatura, tirou um ferro que serve para armar a tenda na feira e ficou “cara a cara” com os meliantes. “Tive o azar de ninguém me ajudar e de não poder com eles. Levaram-me duas malas com ouro – 75 mil euros – mas eu ainda lhes mandei com o ferro”, diz.
Após o roubo, o homem foi socorrido por populares, enquanto os assaltantes inverteram a marcha e puseram-se em fuga numa carrinha Mercedes, dada como furtada no Porto, em direcção a Celorico da Beira. A carrinha viria a ser abandonada junto à escola de Ratoeira, a cinco quilómetros do local do assalto. Pouco depois, os assaltantes, que aparentavam ter entre 30 e 35 anos, terão roubado um Fiat Punto em Casal Soeiro, arredores de Celorico da Beira, mas apenas circularam pouco mais de um quilómetro porque a viatura ficou sem combustível.
A GNR e a PJ da Guarda montaram de imediato uma operação de ‘caça ao homem’ nas estradas da região, bem como nos montes da zona, porque não foi descartada a possibilidade de os ladrões terem ficado apeados. Ontem à noite os indivíduos ainda continuavam a monte.
Segundo uma fonte policial, tudo aponta para que os assaltantes terão ‘vigiado’ as rotinas do ourives. “Esperaram o melhor momento para o atacar”, adianta. Natalino Santos não põe de lado essa hipótese mas não se apercebeu “de nada de anormal” nos últimos dias. “Sou uma pessoa que fala com muita gente e que nunca se preocupou em saber se estava ou não a ser perseguido”, afirma.
REVOLTADO POR NÃO TER TIDO AJUDA
Natalino Santos é ourives há 42 anos e durante este tempo apanhou “muitos sustos”. Com o de ontem, já foi alvo de dois assaltos. “O outro foi em 2001, por três homens. Por coincidência ou não, naquele dia também ia para Trancoso”, refere o ourives. Demonstrando uma frieza invulgar para quem tinha sido assaltado e baleado pouco tempo antes, Natalino só lamenta que ontem “não tenha sido capaz de tirar o capuz aos bandidos” nem tenha “recebido a ajuda de ninguém”, já que os “cafés estavam cheios de gente. Foi pena porque, caso contrário, os ladrões não tinham fugido”, desabafa. Os populares ficaram assustados. “Foi uma cena digna de filme, com muitos tiros e confusão. Depois socorremos o ferido”, disse a dona de um café.
CARRO ROUBADO NO PORTO
A viatura utilizada pelos assaltantes para o assalto - carrinha Mercedes - estava dada como furtada na zona do Porto. Foi abandonada com os vidros partidos em frente a uma escola.
FIAT PUNTO FICOU SEM GASOLINA
Em Celorico da Beira foi encontrado um Fiat Punto roubado durante a noite na aldeia de Casal Soeiro. Tudo aponta para que foi utilizada pelos mesmos indivíduos. O veículo viria a ficar sem combustível.
SAIBA MAIS
63 foi o número de assaltos a ourives e em ouriversarias registados em 2006 pela GNR e PSP. Verificou-se um aumento de 30 por cento em comparação com 2005.
40 roubos a ourives foram registados pelas autoridades policiais no primeiro trimestre deste ano. De salientar que a grande maioria dos crimes foram perpetrados com armas de fogo e grande violência.
SANTARÉM
Um ourives de 35 anos foi agredido com um pé-de-cabra durante o assalto à sua ourivesaria, no centro histórico de Santarém, no dia 28 de Novembro. Os ladrões utilizaram três veículos.
A29
Em 29 de Setembro deste ano, quatro indivíduos encapuzados assaltaram em plena A29 (Esmoriz) um ourives de Espinho. Roubaram-lhe ouro no valor de 40 mil euros.
CHAVES
No dia 25 de Julho do corrente ano, um ourives flaviense foi baleado com três tiros durante o assalto de que foi alvo quando saía de casa e se dirigia para uma feira.
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