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Correio da Manhã

Portugal
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Não podiam ter filhos e compraram bebé

Mulher vendeu o filho por ter problemas financeiros.
Ana Isabel Fonseca, Tânia Laranjo e Liliana Rodrigues 21 de Maio de 2016 às 04:00
Hélio (atrás, à direita) e o seu advogado. Mulher de 23 anos (à esquerda, de costas) alegava ser a mãe do menino de seis meses
Hélio (atrás, à direita) e o seu advogado. Mulher de 23 anos (à esquerda, de costas) alegava ser a mãe do menino de seis meses FOTO: CMTV
O casal não conseguia ter filhos e por isso terá decidido comprar um bebé. Em novembro de 2015, Hélio, de 30 anos, e a mulher, de 23, terão entregado 2500 € a uma mulher que tinha problemas financeiros e que aceitou vender o filho. A mãe, de nacionalidade romena, tinha dado à luz no Hospital de Santa Maria da Feira. Assim que teve alta, entregou o bebé, hoje com 6 meses.

O casal foi ontem detido pela Polícia Judiciária do Porto. Foi presente a tribunal e saiu sujeito a apresentações semanais às autoridades.

O caso foi descoberto quando o menino foi levado pela mulher que dizia ser sua mãe ao Hospital de Santa Maria da Feira. O bebé tinha sinais de anemia e foi sujeito a análises ao sangue.

Nessa altura, os médicos perceberam que o menino não tinha compatibilidade sanguínea com a mulher. Era impossível que aquela fosse a mãe do bebé. Entretanto, os exames de ADN também já confirmaram que Hélio não é o pai.


Para dar mais credibilidade à história, o homem tinha registado, logo após o nascimento, o menino como seu filho. Durante o interrogatório no Tribunal de Santa Maria da Feira, o casal negou ter cometido qualquer crime. Hélio alegou que teve uma relação extraconjugal com a mãe biológica do bebé e que aquela lhe garantiu que o filho era seu.

O homem disse que foi por esse motivo que ficou com o menino. Para as autoridades, esta versão não tem credibilidade. O casal, que reside em Valongo, vive do rendimento mínimo, mas pertence a uma família muito abastada, que possui dezenas de imóveis.


O bebé está agora numa instituição. A juíza autorizou visitas dos suspeitos e dos familiares. "Este bebé era bem cuidado e muito amado. O tribunal autorizou as visitas para não cortar com os laços afetivos", disse ao CM Carlos Macanjo, advogado dos arguidos.
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