Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal

"Não se apercebeu" de atropelamento mortal

Jovem de 23 anos está acusado de homicídio negligente, condução perigosa e omissão de auxílio.
23 de Fevereiro de 2015 às 13:41
Três amigos do jovem, com idades entre os 20 e os 24 anos, estão também a ser julgados no Tribunal de Aveiro
Três amigos do jovem, com idades entre os 20 e os 24 anos, estão também a ser julgados no Tribunal de Aveiro FOTO: Manuel Azevedo

Um jovem acusado de ter atropelado mortalmente uma mulher de 47 anos, em 2013, em Aveiro, colocando-se em fuga, disse esta segunda-feira no tribunal não se ter apercebido de que a viatura que conduzia bateu numa pessoa.

"Estava tudo escuro. Não me apercebi de nada. Só senti o estrondo", declarou o arguido, de 23 anos, acusado dos crimes de homicídio negligente, condução perigosa de veículo rodoviário e omissão de auxílio.

Em julgamento no Tribunal de Aveiro estão ainda três amigos do jovem, com idades entre os 20 e os 24 anos, que respondem por crimes de omissão de auxílio e condução perigosa de veículo rodoviário.

Acusação do Ministério Público

Segundo a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP), os quatro amigos passaram a noite em vários bares da cidade e, pelas 04h00, decidiram deslocar-se a uma padaria, em dois automóveis.

Durante o trajeto, os arguidos cruzaram-se com a vítima mortal, que transitava apeada na berma da estrada, juntamente com mais três homens. O primeiro carro a passar no local conseguiu desviar-se dos peões, mas o condutor da segunda viatura "não reduziu a velocidade, nem efetuou qualquer manobra evasiva, prosseguindo a normal marcha do mesmo", até embater no corpo da mulher.

Segundo o MP, a vítima foi projetada cerca de 40 metros, na sequência do embate com a viatura que circulava a pelo menos a 70 quilómetros por hora, num local onde a velocidade máxima permitida é de 50 quilómetros por hora, acabando por falecer no local. "Nenhum dos arguidos procurou auxiliar a vítima, inteirar-se do seu estado ou sequer providenciar por assistência de emergência, abandonando aquela à sua sorte", diz o MP.

Entregou-se cinco horas depois

O caso ocorreu na madrugada de 11 de agosto de 2013, cerca das 04h35, na zona de Taboeira, em Esgueira, e o responsável pelo atropelamento só se entregou à PSP cerca de cinco horas depois do acidente.

Perante o coletivo de juízes, o arguido explicou que imobilizou o carro uns metros à frente da zona do embate, ao lado de uma segunda viatura onde viajavam outros dois arguidos, mas não foram ver o que tinha acontecido, porque estavam com medo.

"Naquele momento começámos a meter as mãos à cabeça e a entrar em pânico", afirmou o condutor, admitindo que tinham ingerido bebidas alcoólicas, no início da noite, mas que não foi por essa razão que não pararam no local do embate.

Evita atropelamento

O condutor da segunda viatura disse que viu uma pessoa no meio da via e guinou o carro para a esquerda para se desviar, acabando por ficar virado ao contrário.

"Fiz inversão do sentido de marcha e retomei o meu caminho", afirmou o arguido, adiantando que parou uns metros mais à frente, depois de ouvir um estrondo".

Tribunal de Aveiro Ministério Público Esgueira atropelamento mortal homicídio negligente
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)