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Correio da Manhã

Portugal

Naufrágio mata dois pescadores

Isto “acontece ao maior sábio”, dizia ontem o pescador Joaquim Estrelinha, com os olhos fixos na água gelada da praia do Salgado, Nazaré, onde ontem de manhã naufragou um pequeno barco de pesca, causando dois mortos, um dos quais não tinha ainda sido resgatado ao final da tarde.
10 de Janeiro de 2006 às 00:00
A bordo da embarcação ‘Francelina Maria’, registada na Nazaré, seguia ainda um terceiro tripulante, que conseguiu atirar-se à água e nadar para longe da rebentação, sendo salvo por outro barco que estava nas proximidades.
O acidente ocorreu às 8h25, junto às rochas, quando os pescadores, todos nazarenos, se preparavam para recolher as redes que haviam largado na véspera, à tarde.
“As redes prenderam-se à hélice e o meu filho, que era o único que estava na proa, ainda disse para saltarem todos para a água, mas o mestre e o outro pescador já não conseguiram salvar-se”, contou ontem ao CM Vitalina Paredes, mãe de António Alberto Meca, o único sobrevivente, e cunhada de uma das vítimas.
António Alberto Meca, de 32 anos, ficou “muito perturbado”, pois era muito amigo dos dois pescadores, e recusou prestar declarações sobre o acidente.
ZONA BOA PARA PESCAR ROBALO E SARGO
O robalo, o sargo e a dourada encontram-se em abundância naquela zona da praia do Salgado e os pescadores lançam as redes o mais próximo possível do rochedo, para obter uma boa pescaria. Sinal disso são as numerosas redes que são visíveis do areal. Por vezes aproximam-se da linha de rebentação, o que além de ser muito perigoso é proibido, já que só podem lançar as redes a pelo menos 450 metros do areal. Terá sido isso que aconteceu desta vez, causando uma tragédia.
As operações para resgatar o corpo do pescador desaparecido, Fernando, de 53 anos, vão ser retomadas hoje, pelos Bombeiros Voluntários da Nazaré e pela Polícia Marítima. “O corpo foi avistado de manhã, mas desapareceu antes de o conseguirmos resgatar, pelo que só nos resta esperar que a maré o traga de volta”, disse o comandante da Capitania do Porto de Nazaré, Loureiro de Sousa. Sorte diferente teve Joaquim Fulgêncio, de 59 anos, cujo cadáver foi levado pelo mar para fora da zona de rebentação e recuperado ao início da manhã por uma embarcação.
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