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Correio da Manhã

Portugal
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Negócios da noite somam 1200 crimes

Os arguidos do caso Passerelle – liderado por Vítor Trindade –, oito dos quais detidos em Janeiro no âmbito de uma mega-operação da PJ, estão acusados de perto de 1200 crimes. A acusação ficou concluída há poucos dias e estão ainda a ser enviadas as notificações aos envolvidos no processo.
1 de Dezembro de 2006 às 00:00
Dos 24 arguidos sete homens e uma mulher foram detidos em Janeiro e interrogados pelo juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial de Leiria
Dos 24 arguidos sete homens e uma mulher foram detidos em Janeiro e interrogados pelo juiz de instrução criminal do Tribunal Judicial de Leiria FOTO: Carlos Carroso
O Ministério Público (MP) de Leiria deduziu acusação contra 24 arguidos, que são suspeitos da prática de crimes de tráfico de pessoas, angariação de mão-de-obra ilegal, associação criminosa, auxílio à imigração ilegal, fraude fiscal e detenção de arma e acessórios proibidos.
De fora da acusação, que tem mais de 400 páginas, terão ficado os crimes de lenocínio (favorecimento da prostituição) e de falsificação de documentos, dos quais alguns dos suspeitos terão estado indiciados.
Entre os 24 arguidos encontram--se 15 indivíduos – que respondem por 950 crimes – porque os outros nove são sociedades comerciais.
O julgamento ainda não tem data marcada, pois decorre o prazo de 20 dias para os advogados de defesa pedirem a abertura da instrução, se assim entenderem. Devido à complexidade do processo, alguns dos advogados já terão manifestado a intenção de pedir o prolongamento do prazo para darem entrada dos requerimentos no Tribunal de Leiria.
Os principais arguidos do caso Passerelle foram detidos em Janeiro e dois ainda se encontram em prisão preventiva: Vítor Trindade, dono dos clubes Passerelle, e o seu sócio, Alfredo Morais, ex-agente da PSP. Na altura ficaram também em prisão preventiva os irmãos Paulo César e Rui Baptista, que agora estão em prisão domiciliária, com vigilância por pulseira electrónica.
A investigação deste caso foi dirigida pelo MP de Leiria e os seus contornos foram conhecidos com a detenção de sete homens e uma mulher, pela PJ, no âmbito da ‘Operação Yankee’, por suspeita de liderarem uma “poderosa rede de tráfico de mulheres e auxílio à emigração ilegal”. Nos meses seguintes houve mais detenções.
Na altura foram realizadas 30 buscas em domicílios, estabelecimentos, escritórios e agências de viagem, de Norte a Sul do País, e apreendidas 12 viaturas topo de gama, um colete à prova de bala e quatro armas de fogo (três revólveres, uma ‘shotgun’ e um silenciador), para além de muita documentação. Foram ainda identificadas 50 mulheres estrangeiras em situação ilegal, 26 das quais detidas.
PERFIL
Vítor Trindade, de 54 anos, conquistou fama no mundo da noite pela ligação aos estabelecimentos de diversão nocturna. Abriu o Fontória e o Sampayo, mas foi com a rede de clubes de ‘striptease’ Passarelle que se tornou mais conhecido. Depois da abertura da primeira casa em Lisboa, em 1998, lançou um império de clubes pelo País.
OPERAÇÃO YANKEE
REDE PODEROSA
A ‘Operação Yankee’ foi liderada pela Direcção Central de Combate ao Banditismo, em sintonia com o Ministério Público, envolveu a generalidade dos departamentos da Polícia Judiciária e teve por objectivo o desmantelamento de uma poderosa e bem financiada rede, que actuava de forma organizada e concertada, na área do tráfico de pessoas e auxílio à imigração ilegal.
INDÚSTRIA DO SEXO
A rede é suspeita de ter introduzido em território nacional um elevado número de mulheres, oriundas na grande maioria da América do Sul e países do Leste Europeu, para trabalharem na indústria do sexo. O grupo criminoso recorria aos serviços de angariadores nos países de origem a quem eram pagas comissões por cada uma das mulheres enviadas. No entanto, todas as mulheres eram escolhidas após troca de fotos.
RENOVAÇÃO CONTÍNUA
O grande fluxo de mulheres para Portugal era alimentado pela própria necessidade de renovação das largas dezenas de mulheres que trabalhavam para os clubes nocturnos directamente controlados pela rede ou para terceiros, mediante o pagamento de comissões.
ESCLARECIMENTO
A propósito da notícia ‘Negócios da Noite somam 1200 crimes’, publicada na pág. 6 da edição do CM de 1 de Dezembro, esclarecemos que os estabelecimentos Fontória e Sampayo, ambos em Lisboa, nunca foram propriedade de Vítor Trindade, patrão dos clubes de ‘striptease’ Passarelle. O Fontória pertence à sociedade Ferreira Martins & Gomes, Ld.ª e o Sampayo é propriedade da firma Saraiva & Ferreira, Ld.ª. Aos visados, as nossas desculpas.
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