Barra Cofina

Correio da Manhã

Portugal
9

‘Nestum’ e ‘Cerelac’ são nomes de código para rede de tráfico de droga

‘Ovos’, ‘chocolate’, ‘fruta’, 'Sporting’ e ‘plasticina’ eram outros dos nomes utilizados pelo grupo agora condenado.
Nelson Rodrigues 27 de Março de 2023 às 01:30
A carregar o vídeo ...
‘Nestum’ e ‘Cerelac’ são nomes de código para rede de tráfico de droga
‘Nestum’, ‘Cerelac’ e ‘pães’ eram os principais nomes de código usados por uma rede de tráfico internacional, com base em Vila Nova de Gaia, para falar de transações de droga. ‘Ovos’ e ‘chocolate’ significavam haxixe, ‘fruta’ era cocaína, ‘Sporting’ liamba e ‘plasticina’ era haxixe com características resinosas. Os 20 arguidos que integravam este grupo criminoso, devidamente organizado e hierarquizado, falavam sempre pelo Instagram, WhatsApp, Messenger (Facebook) e pelo Telegram. O produto estupefaciente vinha do Algarve, Sul de Espanha e até dos Países Baixos.

Tudo era pensado ao pormenor pelos elementos desta rede. Partiam sempre de carro de Gaia até ao local do destino. No regresso, a droga vinha apenas numa das viaturas, que seguia sempre à retaguarda de outras, que tinham a função de segurança ao transporte - como um carro ‘batedor’ para controlar eventuais operações policiais de fiscalização do trânsito e assim impedir a interceção do produto, que estava escondido em compartimentos secretos na viatura.

No grupo havia distinção de tarefas, de responsabilidades e de ganhos, “sendo que desenvolviam a atividade de forma intensa, ininterrupta e frequente”. Por isso, no regresso a Gaia, à casa do líder, conhecido por ‘Keitas’, cada um tinha uma função - cujo único objetivo era distribuir de forma rápida a droga.

O grupo foi recentemente condenado no Tribunal de São João Novo, no Porto, a penas pesadas por tráfico de droga agravado e associação criminosa. ‘Keitas’ apanhou a pena mais pesada: 16 anos. Já o seu irmão ‘Tero’ e a companheira deste têm de cumprir 13 anos na cadeia. Igual pena levou outro traficante, conhecido por ‘Atães’. Outros oito arguidos foram sentenciados a penas efetivas que ficaram entre os seis anos e meio e os 12 anos e 4 meses de cadeia.

Outras sete pessoas foram punidas com penas suspensas por tráfico de menor gravidade. Uma foi ilibada.

PORMENORES
Dinheiro fica para o Estado
Os juízes deram como procedente a perda alargada de bens para três arguidos e declararam perdidos a favor do Estado 19 mil euros da mulher de ‘Tero’, 9 mil euros de ‘Keitas’ e quase 26 mil euros do arguido ‘Su’.

Arguidos iam em "comitiva"
O acórdão diz que nas viagens os arguidos partiam em "comitiva", para assegurar que tudo corria sem sobressaltos, quer no momento da aquisição do produto, quer no regresso.

Carro com um compartimento
O compartimento oculto fechado à chave ficava entre a carroçaria e os bancos. As viaturas eram adquiridas em França já com a modificação.

Tratavam de marcar hotéis e até refeições
Os arguidos tinham como funções: a realização das viagens; a aquisição de telemóveis; as reservas de hotéis; tratar da alimentação de quem viajava; fazer os pagamentos aos elementos da rede e o aluguer de viaturas a serem utilizadas no respetivo transporte. As contrapartidas monetárias variavam entre os 500 euros e os 2500 euros, dependendo da tarefa. Nas viagens, os arguidos transportavam sempre elevadas quantidades de droga. Dos Países Baixos trouxeram haxixe no valor de 560 mil euros .

Afilhado de ‘Keitas’ tem porco como animal de estimação
O acórdão indica que um dos arguidos, que foi condenado a uma pena efetiva de 7 anos e seis meses de cadeia, tinha um porco como animal de estimação. Este homem, condenado por tráfico e associação criminosa, tratava o cabecilha do esquema criminoso por ‘Padrinho’. No relatório social este arguido chegou a dizer que ocupava os dias a cuidar do animal de raça suína, que consumia canábis e que chegou a namorar com uma das arguidas, que foi punida com 6 anos e meio de prisão.
Ver comentários
C-Studio