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Correio da Manhã

Portugal
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Ninguém toca no pitbull

Uma família em Arrifana, Santa Maria da Feira, está ‘aterrorizada’ por causa do cão de raça pitbull do vizinho, que está no espaço comum do prédio, e que há cerca de duas semanas atacou mãe e filho, provocando-lhes vários ferimentos. As vítimas estão indignadas, porque o animal não foi ainda retirado do prédio, e ameaçam ir para tribunal.
19 de Novembro de 2005 às 00:00
Mãe e filho ficaram com ferimentos na cabeça e membros
Mãe e filho ficaram com ferimentos na cabeça e membros FOTO: António Rodrigues
O cão está num gradeamento fechado, partilhado com um São Bernardo há cerca de um ano e nunca tinha existido qualquer problema, até ao dia em que conseguiu soltar-se e morder, primeiro, o pequeno Rui Filipe, de 6 anos, numa perna e na cabeça, e depois a mãe, que veio em seu socorro. "Fiquei em pânico, tentei agarrar o cão pela coleira, mas ele tinha uma força brutal e queria atacar-me o pescoço", explica Maria Oliveira, que se tentou defender com os braços, onde o cão cravou os dentes, provocando-lhes vários hematomas e feridas que tiveram de ser suturadas com sete pontos.
Afirma que embora o dono do cão, um ex-campeão nacional de Boxe, tivesse afirmado que iria retirar dali o pitbull, recuou nesta promessa e tudo o que fez foi colocar na jaula uma placa onde se lê: "Cuidado com o cão. Atenção, sou mau".
Também a GNR de S. João da Madeira, onde foi apresentada queixa, se deslocou ao local, mas não retirou o cão, por esta espécie de pitbull não constar da lista de cães perigosos, segundo fonte daquela força policial.
O CM apurou também que o proprietário do cão – com quem se revelou impossível falar – terá alegado à GNR que "terão sido as crianças que soltaram o cão e que este estaria a brincar com elas e apenas terá reagido à intervenção da mãe", o que é refutado por Maria Oliveira.
"Se assim fosse, porque é que o meu filho tem os dentes cravados na perna?", questiona. Também algumas vizinhas afirmam que o cão já andava solto quando as crianças desceram as escadas.
Maria Oliveira está de baixa médica, por causa dos ferimentos, e as crianças têm medo de sair de casa, incluindo a filha mais velha de 14 anos "que durante dois dias faltou às aulas com medo de sair de casa". Para terminar com o ‘terror’, a família vai recorrer à Justiça para que o cão seja retirado do local de passagem dos moradores.
GNR DEIXA AUTARQUIA DECIDIR
Uma Equipa de Protecção da Natureza e Ambiente (EPNA) da GNR de Ovar foi chamada a Arrifana, ao local onde se encontra o pitbull, e elaborou um relatório que em breve será enviado para a Câmara de Santa Maria da Feira.
Segundo fonte da equipa policial, "depois de morder as duas vítimas, o cão torna-se agora, nos termos da lei, perigoso", mas "só a autarquia poderá aplicar sanções que poderão ir desde a pena pecuniária até à retirada do cão para o canil municipal".
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